terça-feira, 31 de maio de 2011

O espaço que se segue é da exclusiva responsabilidade de uma instituição parva, e não interveniente

    Acabei de ouvir o tempo de antena dos partidos políticos que se candidatam á Assembleia da República, e confesso meus amigos e meus inimigos que me senti drogado, pedrado, com uma curte e uma tripe de uma macedónia de cerca de 17 drogas diferentes, em que cada uma delas me provocou uma tripe diferente, mas como sempre, e devido ao meu bom senso e capacidade de me manter independente de influências nefastas, não me senti dependente de nenhuma delas.
    De todas elas a que mais prazer me deu, foi a droga do PS. Elevou-me aos céus, fez-me passear pelas nuvens, fez-me reviver os meus mais belos sonhos de criança ingénua e inocente, fez-me sentir  que vivo num país onde todas as pessoas sem excepção, passam a vida numa praia de areia branca e palmeiras de fundo, com ondas de trinta centímetros e temperaturas de 25 graus, com ninfas morenas a passar com batidos de frutas e carícias sensuais, fez-me sentir que vivemos num país com o poder de compra dos Noruegueses e o nível de vida dos Canadianos. E foi uma curte, um prazer quase orgásmico, fez-me sentir um verdadeiro cidadão que tem tudo o que quer do estado sem sequer ter de pagar impostos, e que os senhores da oposição são todos uns malandros e uns bandidos, quais demónios que se elevaram do Hades, para atormentar a vidinha calma e pacifica dos deuses que na tranquilidade das suas nuvens tocam harpa, bebem vinho e comem deliciosas iguarias deitados em seus canapés de ouro, e eis que de repente acordo assustado e a transpirar com o ladrar alvoraçado do tempo de antena do bloco de esquerda e da sua matilha de cães por vacinar que se babam e espumam e lutam contra a corrente apertada ao pescoço que lhes corta a respiração, sim, essas ideias retrógradas que estiveram anos e anos em compostagem, esses ideais dos finais do século XIX, e princípios do século XX, que já cheiram mal e que azedam tudo em que tocam, mas, com uma pequena inovação, uma inovação importada dos tempos da antiga Roma, em que o mestre Cícero, ao pé destes seus alunos parece um anjinho, demagogia, muita e aos molhos, sem espinhas nem vergonha. Eles ladram, eles rosnam, eles arreganham os dentes, eles espumam, eles babam-se, eles rasgam a terra com as unhas, e a poeira é muita e o alvoroço é total, contra tudo e contra todos, com muita acentuação dos RRRRRRss, eles coçam as pulgas e as carraças e cagam lombrigas, sacodem as orelhas e só não mordem em toda a gente porque afinal vivem num mundo virtual. E quando pensava que já não conseguia dormir, eis que aparece para minha salvação o tempo de antena do PCP, digo da CDU
    -Camaradas!.....zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.
    E durmo, e sonho, com um país que é o meu, mas que não reconheço, estive fora demasiado tempo, este meu país ficou velho, decrépito, careca e sem dentes, marreco e coxo, cambado das orelhas, e só me resta mesmo é sonhar, sonhar com o dia em que este nobre povo saiba pensar e decidir, saiba ouvir e falar, que saiba rir de si próprio e chorar pelos outros.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O clube dos portugueses mortos

    É frequente, enquanto se viaja pelas redes sociais, encontrar nos perfis pessoais dos inscritos, algumas frases ou citações com que as pessoas se identificam, ou que escolhem como lema de vida, ou ainda em virtude de simples  hipocrisia que enche de moléstia muita gente destas sociedades, apenas porque parece bem. Reparei que uma das citações mais usadas,  é uma frase em latim ou a sua tradução em português usada no filme ‘’o clube dos poetas mortos’’, ‘’carpem dium’’, frequentemente traduzido por, ‘’aproveita o dia’’.
    Acho que isto pode ser um objecto de reflexão interessante, uma vez que revela um pouco da sociedade que temos, e do nível de informação e de esclarecimento intelectual que grassa por este país. A frase ‘’aproveita o dia’’ revela todo o potencial de uma sociedade terceiro mundista, pouco alfabetizada, ignorante, pouco informada e nada esclarecida acerca da realidade, e porque? Porque revela que as pessoas acham tal como em países do terceiro mundo e pouco evoluídos, que se deve viver o dia de hoje como se o amanha não existisse, tanto por falta de ambição e de objectivos das pessoas, tanto por falta de confiança das pessoas no futuro do país, bem porque não fazemos a mínima ideia do que queremos do nosso futuro.
    Mas o mais interessante de tudo isto é o facto de em minha opinião, e é tão-somente a minha opinião, o facto de essa emblemática frase nem ser a mais interessante do filme, e muito menos a mais reveladora acerca da mensagem da história. Em minha opinião, o que marca mesmo o filme são cinco cenas em particular: a cena em que o professor diz aos alunos para rasgarem uma determinada página do livro e pouco depois lhes diz para subirem acima das mesas, e que olhem o mundo de uma outra perspectiva; a cena em que um aluno atira a prenda de aniversario que os pais lhe ofereceram pela varando abaixo; a cena em que o professor diz ao alunos para gritarem e soltarem o ‘’eu’’ que há em cada um deles; a cena em que o professor lhes diz para simplesmente andarem pela praça; e por fim a cena em que um certo aluno interpreta de forma maravilhosa uma peça de teatro, contra a vontade dos pais.
    É um filme que nos dá que pensar. Faz-nos pôr as coisas em causa, faz-nos questionar se o que temos tem mesmo de ser assim ou se podia ser de outra forma, ensina-nos o que são os fundamentos da Filosofia, as perguntas constantes e a procura incessante de respostas. Alerta-nos para o facto de não termos de nos conformar com tudo o que convencionalmente nos ensinam ou nos querem vender. Mas acima de tudo diz-nos claramente que a verdade está dentro de nós, e que quem não se conhece a si mesmo não pode nunca aspirar a conhecer seja o que for, que é a partir do ser que há dentro de cada um de nós, que podemos compreender os demais que nos rodeiam, que é conhecendo-nos a nós mesmos que seremos mais tolerantes e compreensivos com as outras pessoas.
    Diz-se que vivemos uma crise financeira internacional, mas acho que isso é apenas o que nos querem vender, e como sempre, a verdade não está no que nos querem vender mas no que nos querem ensinar. Hoje confunde-se muito o preço das coisas pelo valor das coisas. Hoje em dia tudo tem um preço, e todos conhecemos o preço das coisas, até porque a afixação das tabelas de preços são obrigatórias, mas por outro lado não é obrigatório o ensino e afixação dos valores éticos e morais que deveriam reger as nossas vidas. A crise financeira e económica que vivemos, não é senão o resultado de uma crise muito mais vasta e profunda, uma crise de identidade, e porquê? Porque não nos conhecemos a nós próprios, não sabemos quem somos, de onde vimos nem para onde vamos. O que sabemos melhor do que ninguém é inventar desculpas e atribuir culpas a toda a gente, o que não sabemos fazer no entanto, é ser auto-críticos, de forma a saber qual a nossa contribuição pessoal e colectiva para o estado, em que o estado se encontra.Não sabemos analisar as coisas de uma forma racional, objectiva e independente de complexos e preconceitos.
    Eu aconselharia as pessoas que mandam nesta brincadeirinha, a ensinarem as crianças a fazer quatro coisas fundamentais, quatro disciplinas básicas em todo o percurso escolar, a saber: Português, para que todas as pessoas deste país saibam falar e expressarem-se; Filosofia, para que todas as pessoas deste país saibam pensar por suas próprias cabeças sem comerem alegremente toda a merda que lhe põem à frente; Matemática, para que todas as pessoas saibam fazer contas de uma vez por todas sem se endividarem; Desporto, para que toda a gente saiba que nada se consegue sem esforço e sem sacrifício.
    Reparem que não é em países ricos em recursos naturais que se verificam os mais altos índices de qualidade de vida, mas sim nos países que mais e melhor educam os seus filhos.
    Pelo que vejo nesta época eleitoral, não me parece que todos estes problemas sejam resolvidos nos próximos anos, continuando a sociedade portuguesa a sofrer não por falta de emprego ou de dinheiro, mas por falta de educação. Mas desde que haja velas em Fátima, reality shows e novelas na TV, futebol super bock e tremoços, em vez de Filosofia, nada disto vai mudar, entretanto façam favor de aproveitar o dia.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

4ª República Precisa-se

                                  A ilusão do FMI

     Finalmente chegou o FMI a Portugal, e mesmo que não houvesse mais nada para dizer acerca do assunto, já seria bastante o facto de estes senhores bem vestidos de óculos escuros e ar sério exercerem a sua profissão em Portugal pela terceira vez desde o 25 de Abril de 74, quase que me apetece dizer -merda para o 25 de Abril e para a Democracia e para os políticos que a gerem.
     Creio que já começa a ser tempo de mudar de vida, e creio que é tempo dos Portugueses abrirem os olhos de uma vez por todas, é que ao contrário do que muita gente possa eventualmente pensar, o FMI não vem cá para resolver os problemas do país, o que eles vêem cá fazer é apenas resolver um dos problemas da país, a saber: divida externa, tendo que para isso resolver um outro por inerência: buraco orçamental, passo a explicar. Portugal é membro da União Europeia bem como do FMI, e deve muito dinheiro a estes dois e aos seus membros, e como não estamos a ser capazes de pagar as nossas dívidas, eles mandam para cá alguém para dizer aos incompetentes dos políticos portugueses o que eles têm de fazer para resolver o problema das contas públicas a fim de que possamos pagar a quem devemos, e findo esse trabalho os ditos senhores vão-se embora, e não se irão embora por muito tempo se continuar-mos sem resolver os nossos problemas de fundo.
    É frequente ouvir alguns comentadores e analistas da nossa praça nomeadamente os mais próximos e colados à esquerda, de que a receita do FMI é sempre a mesma e que nenhum dos países por onde eles passaram ficou ou está melhor do que antes do FMI. Pois de certa forma têm razão, é que como já disse o FMI bem arranjando dinheiro e condições para que o país pague a quem deve dá o fora, cabendo depois a cada país fazer o seu trabalho de casa, e, no nosso caso, como não temos sabido arrumar a nossa casa os homens vem e voltam e voltam.
    Então o que é que é preciso fazer para que estes senhores não tenham que andar sempre a caminhar para Portugal? É preciso resolver problemas de fundo como por exemplo pôr a sociedade a funcionar de forma clara e esclarecida, é preciso dar cultura ao povo e ensina-los a pensar por suas próprias cabeças, para que assim saibam escolher convenientemente quem os governa melhor,é que se investe muito em cultura neste país mas apenas em cultura para umas certas elites a chamada cultura cara, se por acaso aparece um grupo de teatro amador o mais natural é morrer á fome e com falta de apoios. É preciso que saibamos tomar conta da nossa casa escolhendo políticos competentes e não uma corja de bandidos e vigaristas. É preciso definir uma orientação estratégica de futuro, temos de saber o que vamos fazer no futuro e vocacionar a economia para tal. Não é construir auto-estradas e aeroportos e tgv’s só por construir. O têxtil foi-se, o calçado vai-se aguentando mas fraquinho, a pedra foi-se, a cortiça foi-se, a agricultura acabou, a pesca já não existe, a siderurgia foi pelo mesmo caminho, nas exportações resta o papel e pouco mais, o cimento é para consumo interno e se não tomarmos novo rumo até isto acaba.
   O estado deste país é bem o espelho deste povo, que vive para se exibir só porque é amigo de gente muito rica e então tenta viver como estes mas esquece-se que para o poder fazer tem de criar riqueza primeiro, e agora estamos na situação em que os ricos se fartaram de nos emprestar dinheiro, até me admira como têm tido tanta paciência connosco.
    Talvez não seja má ideia deixarmos de eleger governos e presidentes da republica que não servem para nada, elegemos apenas os deputados que depois contratam senhores de gravata e óculos escuros que vêem comandar o país, uma espécie de gestores mercenários do exercito económico, que ganham por objectivos. Talvez seja uma boa forma de aperfeiçoar este sistema democrático que Churchill disse não ser bom mas ainda assim é o melhor que temos. É que assim, aqueles que são competentes o suficiente para governar um país ganham mais no privado e não se borram em intriguinhas
     Há uma pergunta que me persegue constantemente: o que é que Portugal tem a menos em termos de recursos do que países como a Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Dinamarca, Itália, França, Espanha, Inglaterra, Suécia, Áustria, etc, etc,?? E a nossa mão-de-obra? É reconhecida e valorizada e consegue ser das mais produtivas em qualquer parte do mundo com excepção da sua própria terra.
    Já agora aqui deixo mais umas quantas perguntas para reflexão. Porque é que andamos a pedir o alargamento da nossa zona económica exclusiva se não é para a explorar e rentabilizar? Com uma zona económica exclusiva tão grande, como deixamos acabar com as nossas pescas para agora comprar pescado? Só compraram dois submarinos para a fiscalizar? Porquê deixar as nossas terras ao abandono e á mercê dos fogos de Verão e não as cultivamos? Porque fecharam as minas? Porque é que as mentes imaculadas deste país nacionalizaram a siderurgia do Champallimaud porque era um bandido de um capitalista fascista e agora aceitaram a fundação que nos deixou? Porque é que o povo português vota sempre no símbolo do partido? Será que somos como os macacos e identificamos os símbolos com comida, independentemente de quem é o tratador? Porque é que os dirigentes sindicais são sempre os mesmos e têm mais poder que a maioria dos partidos políticos? Porque é que os sindicatos não pagam o dia de greve ao trabalhador que faz greve? Como é que é possível haver 20% dos eleitores a votar em partidos que defendem uma economia nacionalizada, e aumento de tudo o que é subsídios e reformas do estado na actual situação económica? Como é possível que um órgão de soberania como são os tribunais, seja tutelados por um ministro que é nomeado e não eleito? Como é possível que os representantes dos eleitores na assembleia da república representem na realidade os interesses do partido e dos lobbys que os financiam? Dom Afonso Henriques, Dom Diniz, Dom João II,  Sebastião José de Carvalho e Melo, António de Oliveira Salazar. Será que teremos de esperar mais 100 ou duzentos anos por outra Ínclita geração?

domingo, 3 de abril de 2011

Uma geração de Tótós

«Não temos uma geração á rasca, o que temos é uma geração RASCA QUE CRIOU UMA GERAÇÃO DE TÓTÓS»


Quer se queira ou não a verdade nua e crua é: andam há 30 anos a viver do que não produzem e não têm, andam a viver á conta dos impostos e empréstimos da Alemanha, França, etc. etc.

O FMI é inevitável e não vale a pena diabolizar, é claro que vai ser duro e difícil, mas vai ser pior sem a intervenção de ajuda externa, porque os portugueses já provaram que não se sabem governar, o que sabem fazer é empurrar culpas de uns para os outros defender os interesses do partido e estão se cagando para o interesse nacional, eu não quero saber de quem tem culpa muito embora gostasse de ver uns quantos a bater com os costados atrás das grades.  

Viveram demasiado tempo á custa de alguém pois agora mentalizem-se que vão ter de pagar as dividas, e não o fazem com deficits de 2%, isso só serve para equilibrar as contas, para pagar dívidas é preciso crescimento económico e super-havit, e isso não se consegue com a tradicional ideologia do anti-fascismo e anti-patrões, são os patrões e as empresas que geram riqueza e crescimento e postos de trabalho, gostava que me dissessem quantos postos de trabalho foram criados pelas centrais sindicais nos últimos 40 anos. Os maquinistas da CP todas as semanas fazem greve têm mais regalias que ninguém e nunca estão contentes, isso tem de acabar. Não temos possibilidades de suportar 800 mil funcionários públicos, nem metade. Temos de impor tectos nas reformas, 2000 euros por mês é mais do que suficiente para qualquer pessoa viver dignamente, o estado deve se resumir a legislar e fiscalizar e sair de uma vez por todas da economia e deixar de fazer concorrência desleal aos privados.

Por isso mentalizem-se, isto ainda não é nada a crise veio para ficar muito e muito tempo. Muita mentalidade e muitos maus hábitos vão ter de mudar.

E não temos uma geração á rasca, o que temos é uma geração RASCA QUE CRIOU UMA GERAÇÃO DE TÓTÓS,  quando eu era adolescente via muitos dos meus colegas a ir passar férias para a praia e eu ia dar serventia a pedreiros alem de muitas outras coisas e o dinheiro nem sequer ficava para mim, era entregue na íntegra aos meus pais, na altura não gostava mas hoje agradeço aos meus pais o exemplo que me deram. Hoje temos uma geração de totós, é a geração das consolas, portáteis, telemóveis e festivais de verão, e facebook, ipod e mp3, tudo brinquedos caros de mais que só podem ser comprados porque, o estado se continua a endividar a taxas de juro de agiotas. Mas estes totós não têm culpa, a culpa é da chamada geração rasca que não os soube educar, e o resultado é uma cambada de Tótós  mal criados, que não respeitam nada nem ninguém, e que não sabem fazer nada, e se juntarmos a tudo isto um sistema de ensino que valoriza a lei do menor esforço, e favorece o absentismo e a total falta de respeito, é isto que temos. Ora não vejo grande futuro numa nação que premeia os incompetentes e abandona alguém de digno valor que mais tarde ou mais cedo se cansa e simplesmente desaparece em busca de sítio onde lhes seja reconhecido o justo valor.
    Mentalizem-se de uma vez por todas que não pode ser o estado a resolver todos os problemas da sociedade civil, não podemos continuar a sair para a rua e a gritar contra o estado. O estado somos nós. A função do estado mais uma vez é: legislar e fiscalizar, depois cabe aos cidadãos, e empresas, irem á luta e fazer pela vida «dar ao cú que se faz noite». Há muita coisa por fazer neste país, muita terra por cultivar, muito mar por explorar, tudo o que se diz que está mal, é hora de quem critica e pede ajuda se mentalizar que têm de se ajudar a si próprias e a força que usam para lutar contra os políticos devem-na usar para lutar pelas suas próprias vidas, deixem o vicio dos subsídios e ajudas do orçamento geral do estado e comecem uma vida saudável de trabalho e poupança.Se  o conseguirem fazer vão ver que teremos melhores políticos, porque estes políticos rascas que temos não é mais que o resultado da sociedade que somos, até porque o espelho nunca mente.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Como alterar o estado da Nação ( continuação)

                                              Reforma hierárquica do estado:
     É notório pelas notícias que nos têm chegado ultimamente, que começa a ser grande a insatisfação das massas populares acerca das classes políticas em diversas partes do globo, veja-se o exemplo mais recente da Tunísia, do Egipto, e da Líbia, com o perigo eminente de alastrar epidemicamente a outros países da região, mas também os não muito distantes casos da Grécia e da França. Temo sinceramente que em Portugal venha a acontecer o mesmo muito em breve, porque o Povo Português começa a abrir os olhos para a pouca vergonha que tem sido o acto da governação deste país há umas décadas a esta parte, e, não podemos esquecer também, que este povo de brandos costumes, foi o povo europeu que mais lideres políticos e chefes de estado assassinou no século XX, e o ultimo diga-se ainda não foi assim há tanto tempo como isso (e diga-se de passagem que as investigações ainda não acabaram, simplesmente vergonhoso, até parece o assassinato de Júlio César, todos fizeram questão de depositar no seu corpo a sua própria facada).
    É por isso urgente uma renovação da classe política e governativa, bem como das atitudes destes. O exemplo parte sempre de cima e a educação dá-se em casa. Não se pode esperar que um fumador exija ao filho que não fume e tenha sucesso nessa acção, até porque a primeira reacção do filho é dizer «mas tu também fumas!»
    São muitos os exemplos que se podem dar, de maus exemplos que o estado português dá aos seus cidadãos pela mão dos políticos que os governam. Já diz o ditado popular «pagar e morrer é a ultima coisa a fazer», isto já é um problema social e cultural com resultados catastróficos para a economia nacional, o Estado Português é o maior devedor deste país, mas é no entanto o melhor e maior cobrador, a tempo e a horas com juros de mora, ora isto é um péssimo exemplo que se pode dar – aumenta-se a idade da reforma, mas os políticos acumulam reformas ao fim de dois ou três mandatos – pedem-se cortes nas despesas, mas os políticos arranjam artimanhas de ajudas de custo e outras para colmatar os cortes salariais – corta-se em igualdade percentual a uma reforma de 300€ mensais ou a uma reforma ou salário de um politico com milhares de euros por mês – na justiça então é gritante os casos de políticos e autarcas suspeitos de crimes económicos e de corrupção que nunca dão em nada, mas julgo não ser preciso ser muito inteligente, para dar uma vista de olhos pelo território nacional e para o tipo de construção e de urbanismo que temos, em especial no litoral, e só apetece perguntar: «mas qual ministério ou secretarias de estado da ordenamento e administração do território qual quê?». Corruptos. Não há organização nenhuma em lado nenhum. Se eu quiser fazer uma habitação própria num terreno que é meu, não posso porque está fora do P.D.M., mas numa noite vem um despacho do senhor presidente da câmara e do senhor vereador do urbanismo e já se pode construir um centro comercial, isto meus amigos são péssimos exemplos que não ajudam em nada a credibilidade dos políticos e dos governantes. À mulher de César não basta ser, é preciso parecer. Todo o general que pede aos seus homens que caminhem em marcha forçada numa travessia dos Alpes no inverno, deve caminhar ao lado deles. Um homem só, pode não ser capaz de mudar um país, mas um país de homens pode mudar o mundo.
Primeiro que tudo é preciso definir melhor o papel do Presidente da Republica – não sei de que serve ter um Presidente que veta uma lei duas vezes e à terceira é obrigado a promulgar, que passa o primeiro mandato a dar graxa aos governos para ganhar a reeleição e os lincha publicamente no segundo sem qualquer razão aparentemente valida, que é comandante em chefe das forças armadas a titulo de homenagem, que passa o tempo a cortar fitas e a gastar o dinheiro dos contribuintes em presidências abertas e visitas de estado recheadas de petiscos e bons hotéis para ele e para toda a comitiva de sanguessugas que o acompanha (não compreendo porque temos de ser nós a pagar as viagens de empresários multimilionários que vão governar a sua vida á custa dos negócios promíscuos com o estado), mas que no entanto tem o poder de dissolver a assembleia da republica que foi eleita com o voto do Povo. Em democracia o voto do Povo é soberano, intocável e ‘’sagrado’’, tem de ser respeitado até ao fim, se o senhor Presidente da Republica não está contente com o governo do país, destitua-o e nomeie um novo, porque o governo sim, é que foi por si nomeado. Teremos por isso que optar por um sistema em que o Presidente da Republica reparte o poder com o governo, ou eliminamos de vez um dos dois. Acho sinceramente que não precisamos de tanta gente para governar. Precisamos de um Presidente que seja realmente eleito pelo Povo, por um período de 6 anos, com possibilidade de uma única reeleição, com poder para formar governo e dar-lhe posse, com total poder para tomar decisões e governar com a aprovação da Assembleia da Republica por maioria de 50%+1, sujeito no entanto a moções de censura e de confiança da Assembleia da Republica por maioria qualificada de dois terços. As eleições para a Assembleia da Republica devem-se realizar sempre a meio do mandato do Presidente, para haver uma maior oportunidade de quebrar uma eventual hegemonia de uma só força política com maioria no apoio ao governo do presidente, uma vez que, como já se viu num passado recente por varias vezes, a formação de maiorias absolutas de um só partido na Assembleia da Republica, transformam o governo do país numa pequena ditadura parlamentar, uma vez que á terceira o Presidente é obrigado a promulgar, reduzindo assim o papel dos restantes deputados ao de meros espectadores. Desta forma acabam-se também com as desculpas de que «eu não faço porque não me deixam», e as tomadas de decisão ficam democraticamente mais distribuídas forçando todos a negociar para atingir um consenso ganhando assim o factor representatividade mais força nas tomadas de decisão acabando também com a imposição de vontades de um partido sobre os outros. É que não deixa de ser curioso que políticos que passam a vida a apregoar o seu passado anti-fascista e de luta pela liberdade contra a opressão, passem agora a vida a impor as suas ideias sobre os outros sem o mínimo respeito que qualquer força política democraticamente eleita nos merece.
    Em segundo lugar vem a Assembleia da Republica – que dizer daqueles 230 senhores deputados. Para mim nem é a questão do número de deputados ser 230, 500 ou 20, que se põe. É sim a questão de saber o que estão lá a fazer e porquê? Estão lá a satisfazer as necessidades do partido onde fazem carreira política a lamber as botas uns aos outros, com o objectivo fundamental de defender os interesses: 1º do partido, 2º do partido, 3º do partido, 4º os seus interesses, 5º os interesses dos amigos, (…) …999º eventualmente os interesses do país. O que é preciso para se chegar a deputado? – Lamber muitas botas, dar muitas palmadinhas nas costas, engolir muitos sapos, e colar mais cartazes ainda, tudo logo desde o tempo da escolinha, e depois de muitas influencias movidas, os que têm sucesso lá conseguem entrar para uma das listas eleitorais dos diversos ciclos distritais onde eventualmente abre uma vagazinha, e então lá vai um senhor de Leiria com residência no Funchal como deputado pelo circulo de Viana do Castelo, para assim poder triplicar o seu salariozinho com ajudas de custo, ou ainda uma senhora de Beja que vive no Porto que é eleita pelo circulo da emigração por ter residência oficial em Paris, é que assim as ditas ajudas de custo já pagam as suas viagens particulares á capital da moda, isto não passam de exemplos muito próximos da realidade, digo eu, com os nervos). E que dizer das reformas e regalias vitalícias acumuladas com apenas alguns mandatos? Nem vou dizer nada. Bem, talvez só que, se acham que ganham pouco, aumentem o salário, mas que façam por o merecer e deixem-se de inventar subterfúgios legais para ganhar mais mas dizerem que são uns coitadinhos.
    É urgente que se mude o método eleitoral português. Precisamos urgentemente de deputados na Assembleia da Republica, que sejam eleitos pelos eleitores e não pelos seus próprios partidos, que defendam os interesses de quem os elegeu e não os interesses do partido a que pertencem e pelo qual estão sujeitos á politica de voto do mesmo nem que tenham opiniões pessoais contrarias, precisamos de saber quem são os deputados que nos representam e a quem nós podemos pedir explicações pelo trabalho realizado, e mais importante de tudo, precisamos que qualquer cidadão se possa candidatar a deputado de forma independente de qualquer partido ou formação politica, ou ainda de qualquer lobby de interesses. Quanto ao número de deputados em si, deve ser representativo do universo total de eleitores, devendo por isso os lugares da abstenção e dos votos em branco ficarem vazios no hemiciclo, até porque essa também é uma expressão do eleitorado que deve ser respeitada. ( continua ).

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Como alterar o estado da Nação ( continuação)

                                                   Ministério da Justiça:

    Quanto a mim este é o maior problema de Portugal. Não há estado sem justiça. Quando cada um pode fazer o que quer e lhe apetece sem consequências, é a anarquia total, não há estado de direito nenhum que resista á falta de justiça, e quando dizem que a democracia está em crise, eu não posso concordar, o que está em crise é a justiça que não fiscaliza a democracia. Sempre ouvi dizer que a nossa liberdade acaba quando começa a liberdade dos outros, pois quando alguém faz passar a sua liberdade para lá dos limites da liberdade dos outros, tem que entrar em funcionamento uma justiça que diga claramente quais são os limites e que puna quem os ultrapassar, e em meu entender isso está muito longe de suceder. Veja-se por exemplo o caso bem conhecido da maioria dos portugueses, de um autarca deste país que foi julgado e condenado a sete anos de prisão efectiva e a perca de mandato, e o que é que acontece? Recorre da sentença, em liberdade depois de ter sido condenado, recandidata-se, ganha as eleições e continua a exercer o cargo de autarca depois de ter sido condenado em sentido contrário. Ninguém é mais a favor do estatuto da presunção de inocência do que eu, mas a partir do momento em que é condenado, tem de cumprir pena, foi julgado, foi condenado, tem de cumprir pena, quer recorrer, recorre na prisão. Para já não falar na eternidade que demora a investigação, acusação, defesa, julgamento, recursos e mais recursos e pormenores técnicos que a lei permite tudo e mais alguma coisa a quem tenha meia dúzia de tostões, que lhe permita pagar aos advogados, nunca mais ser condenado pelos crimes que cometeu. Mas o problema maior nem é o acontecer um caso destes por si só, é o exemplo de impunidade que se dá ao resto da população, e não há cadeia de comando que resista a maus exemplos, e o problema transforma-se numa catástrofe nacional quando o exemplo se transforma em regra. Nos Estados Unidos da América, o senhor Madoff foi acusado e condenado em seis meses, em Portugal pensa-se que o caso BPN pode vir a ter até oitocentas testemunhas, daqui a vinte anos ainda andamos a julgar o senhor Oliveira e Costa. Simplesmente vergonhoso.
    Uma coisa que eu nunca consegui entender é: porque é que a justiça tem de estar sob a tutela do poder político? Como é que um órgão de soberania como são os tribunais têm de estar sob a alçada de um poder executivo que é nomeado pelo Presidente da Republica? Cheira-me a promiscuidade.
    Existem em Portugal três órgãos de soberania, a saber: Presidente da Republica, Assembleia da Republica e Tribunais. O governo é um órgão executivo nomeado na sua totalidade pelo Presidente da Republica. Os Tribunais deveriam sim ser independentes de qualquer poder político, sendo apenas fiscalizados pela Assembleia da Republica e sempre por uma maioria qualificada de dois terços, a exemplo de como acontece aliás com o Provedor de Justiça.
    O Presidente da Republica tem o poder de fiscalizar a Assembleia da Republica com o poder que lhe assiste de a poder dissolver e convocar novas eleições. A Assembleia da Republica teria o poder de fiscalizar as Tribunais. Os tribunais teriam a independência necessária para poder fiscalizar os outros dois órgãos de soberania.
    Desconfio no entanto que isto não traria grande vantagem aos políticos habituados a fazer tudo o que querem e lhe apetecem, sem olharem a métodos e ou meios para alcançar os seus objectivos.
    No âmbito da justiça ainda se deveria promover uma revisão geral dos códigos do processo civil e penal, a fim de simplificar as leis tornando-as mais claras e objectivas, de fácil compreensão por qualquer cidadão, e sem dar azo a interpretações diversas do mesmo texto, sem falar no artigo 3º da alteração à alínea d) do artigo 4º alterado pelo nº1 da revisão xxxx/74 , um autentico caos.  Temos legislação a mais e lei a menos.
    É necessário aumentar os vencimentos dos Juízes, pois como titulares de um órgão de soberania, e por uma questão de equidade, deveriam-se equiparar os seus vencimentos aos vencimentos do Presidente da República, e do Presidente da Assembleia da Republica. Deve-se ainda optar por uma solução de salário fixo em detrimento de uma solução de salário mais ajudas, uma vez que fica mais difícil de controlar os seus rendimentos. Deveriam ainda ser proibidos de deter qualquer tipo de participação social e ou económica em qualquer empresa ou instituição que tenha como objectivo a obtenção de lucros. Medidas aliás que deveriam ser estendidas a todos os detentores de cargos públicos, durante o exercício das mesmas, e findas as quais deveria ser guardado um período de nojo de até dez anos dependendo da relevância e importância do cargo.
    O Ministério Publico deve ser um organismo independente tutelado pela Assembleia da Republica, dirigido por um Juiz e deve ter a seu cargo a polícia de investigação criminal, a ver se desta forma se acaba de uma vez por todas com a nojeira de provas mal obtidas e inválidas, toda a gente sabe o que os homens fizeram e disseram, mas não se pode fazer nada porque as provas foram obtidas de forma ilegal, afinal são os policias os criminosos. Deve se acabar com a figura do Segredo de Justiça, bem como a prisão preventiva, trocando-a por prisão domiciliaria, com excepção a crimes de sangue, crime violento (assalto á mão armada, violência domestica, etc.), desde que em flagrante delito. Para todos os flagrantes delitos, julgamentos sumários num máximo de 48 horas. As penas de prisão deveriam ser agravadas em crimes de sangue e crime violento, bem como pedofilia e crime económico e corrupção. Não defendo pena de morte porque todos temos direito á vida, e até porque muitos condenados estão inocentes como se vem a provar em muitos casos de países onde existe a pena de morte, mas para certo tipo de crimes não tenho nada contra a pena de prisão perpetua, ou em alternativa a acumulação numa mesma pena, das varias condenações.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Como alterar o estado da Naçao

Como alterar o estado da Nação

Portugal está a precisar de uma revolução, e não é pequena, e temo que tenha de ser o povo mais uma vez a ter que pagar a factura de tais mudanças, mas desta vez não creio que a revolução tenha de ter gente atirada pelas janelas ou sequer cravos nas espingardas, tem de ser acima de tudo uma revolução de mentalidades, da forma de estar e pensar o país, é que há muita gente neste país que ainda não digeriu o 25 de Abril de 74, não se convencem que o 25 de Abril de 74 acabou às 00.00 horas do dia 26 de Abril de 74, não há meio de começarem a lutar por um país diferente, continuam a viver na mesma tacanhez de espírito da velha senhora, passam a vida a teimar cada um para seu lado mas no final todos dizem o mesmo. (Diz a tradição para a inovação: «vocês nunca ouvem o que eu digo!»; diz a inovação para a tradição: «vocês nunca ouvem o que eu digo»).
Primeiro que tudo é preciso reflectir muito bem qual deve ser o papel do estado? De ditaduras que tudo controlam já toda a gente esta farta por esse mundo fora, sejam de esquerda ou de direita, sociais ou populares, mais ou menos encapotadas. Queremos um estado que embora democrático tudo controla, sem deixar qualquer sector da vida social, económica e politica sem o controle do estado? Com toda a carga corrupta e burocrática que daí advêm? Não me parece.
A principal função do estado deve ser a de salvaguardar a soberania do estado, e a defesa dos direitos e liberdades dos cidadãos.

Ministério da Defesa Nacional:
Faz sentido ter o exército que temos? É obvio que precisamos de ter um exército, mas adequado em tamanho e equipamento à realidade do mundo em que vivemos, e à posição geoestratégica que o país ocupa no mundo. Com certeza que não será de esperar uma invasão terrestre por parte da Espanha. Portugal é membro da NATO e da EU, e com excepção de Marrocos, os membros dessas organizações de países são todos os países que nos rodeiam, e com os quais partilhamos acordos de entreajuda há muitos anos, como tal deve ser na base dessa cooperação estratégica com esses países que devemos ajustar a realidade das nossas forças armadas, menos virada paro o nosso espaço terrestre mas sim mais virado para o ar e o mar, uma vez que temos uma das maiores zonas económicas exclusivas do mundo e a maior da Europa, que ainda há bem pouco tempo viu a sua dimensão alargada pelas Nações Unidas. Precisamos de um exército mais pequeno, mais ágil e mais bem equipado com especial incidência no mar, não só no âmbito da defesa nacional mas no âmbito do controle do tráfico de droga e do tráfego marítimo, tráfego esse que continua em franca expansão e que muitos são os crimes cometidos em alto mar como a lavagem de tanques de petroleiros por exemplo. Alem disso era bom que a Armada portuguesa pudesse colaborar mais com as universidades pondo á sua disposição, meios que permitissem a estas explorar mais e melhor através da investigação científica todo o potencial que o nosso mar tem para nos oferecer.
Investir fortemente em quadros altamente especializados para as forças armadas, firmando contratos de exclusividade de longa duração, a fim de fazer prevalecer a motivação e o profissionalismo pessoal numa carreira nas forças armadas.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

o estado da nação

O estado da Nação

     Já todos estamos cansados de ouvir falar em crise, muito embora nem todos a tenham sentido na pele todavia, e só mesmo a maioria da população comece agora a sentir os seus efeitos, num momento em que muitos países já estão em momento de retoma e em franco crescimento, Portugal como é costume estamos mais uma vez atrasados, a crise chegou tarde, o governo demorou uma eternidade a compreende-la, e mais tarde ainda tomou algumas medidas de recurso que em nada resolvem a situação catastrófica em que o país se encontra, e, é de notar que eu nem sou ‘’catastrofista’’, mas sim realista, e como sempre procuro ver as coisas com espírito crítico, tentando compreender as coisas como elas realmente são e não como me as querem fazer pintar.
    O momento que Portugal atravessa não é tão pouco uma crise económica, ou como diz o senhor ‘’engenheiro’’ Sócrates, a ‘’crise financeira internacional’’, esse dragão que voa sobre o nosso jardim à beira-mar plantado e nos queima o escalpe semeando a devastação pela mão deste governo de saloios e incompetentes, mas sim uma serie de muitas e profundas crises, económica, estrutural, social e cultural.
    Repare-se o que acontece neste momento na Tunísia e no Egipto, e já com a Argélia com medo de que o problema se possa alastrar às suas fronteiras a proibir toda e qualquer manifestação popular nas ruas. São países com baixos índices de educação nas suas populações, e altíssimos índices da presença do poder religioso nas vidas das pessoas, como uma forma de ditadura a fim de controlar melhor as massas, e os poucos esclarecidos que se possam insurgir contra o poder. São países em que as pessoas estão fartas da ditadura que os oprime e os faz passar fome, mas demasiado ignorantes para saber viver em democracia. Então o que fazer?
    Esta é a pergunta que se impõe também em Portugal, todos estes políticos da treta que tanto ‘’lutaram contra a ditadura e o fascismo’’, e que nada mais fazem do que governar os interesses pessoais e partidários, não fizeram muito melhor em 37 anos de democracia para além da liberdade de expressão, e em grande culpa porque de certa forma continuaram a manter em baixo os índices de conhecimento da população. Se antes era deus, pátria e família, agora é big brother, novelas e futebol.
     Foi Portugal pioneiro da globalização há 500 anos atrás, mas parece não ser capaz de se adaptar á globalização e às mudanças que o mundo sofre todos os dias, o conhecimento da humanidade evolui mais num dia hoje do que em toda a idade média, e o desafio é saber manter o ritmo das alterações, porque é isso que as crises nos ensinam, que é preciso alterar o que esta errado, mudar hábitos e leis estabelecidas como universais, o meu pai foi educado como o seu pai o tinha sido e o seu avô antes dele, mas eu já não fui educado da mesma forma, e entre a minha geração e a geração dos meus filhos, todos os dias nasce uma nova geração, antigamente as gerações mediam-se em dinastias, hoje uma nova nasce com cada bebé.
     Quando o homem se começou a sedentarizar, começou o seu processo de especialização. Com a vida em sociedade começou-se a partilhar conhecimentos e experiencias, começamo-nos a proteger uns aos outros, a compensar as fraquezas de uns com a superioridade de outros, era também o tempo em que toda a gente sabia fazer um pouco de tudo, e em que todos esses conhecimentos eram úteis e necessários nas provações do dia-a-dia. Hoje é o tempo em que a especialização está a atingir um ponto nunca antes visto em que um indivíduo não sabe um pouco de tudo, mas sabe quase tudo de muito pouco, é o tempo em que a nossa sobrevivência enquanto indivíduo depende da nossa especialização, mais do que nunca somos forçados a encontrar os nossos talentos. Há muita gente hoje especializada em biotecnologia e que muito provavelmente nem sabe como cultivar couves ou batatas, muita gente nos grandes centros urbanos nem sabe que há outro tipo de comida para além daquela que retiram dos plásticos todos os dias, mas sabem eventualmente muito de astronomia, biologia, química, historia ou matemática, assim como a maioria das pessoas que cultivam couves e batatas não sabem sequer ligar um computador.
     Mas há uma coisa que não mudou nada em toda esta evolução, a necessidade do conhecimento, e dá-me arrepios nas costas pensar, como é que um país que retira o ensino da filosofia das escolas, quer ultrapassar este desafio da mudança.
    Alguém disse que a democracia não é boa mas é o melhor sistema que temos, eu diria melhor, a democracia é o melhor sistema, desde que, não seja só o poder a ser repartido, mas também o conhecimento, para que toda a sociedade seja suficientemente esclarecida para saber escolher as pessoas certas para tomar as decisões em nome de todos, e não é certamente com governos que escondem e ocultam a verdade dos cidadãos, que ultrapassamos esta ‘’ crise financeira internacional’’, é que quando ouço o nosso actual primeiro-ministro a discursar na assembleia da republica, chamando burros a todos os outros dizendo que tudo está bem, mesmo quando se tem de pedir dinheiro emprestado todos os meses a preços de agiota para poder pagar os salários dos funcionários do estado, dizendo inclusive que essas operações são um sucesso, quando eu pensava que sucesso era não termos que pedir nada a ninguém, então tudo me leva a crer que o senhor ‘’engenheiro’’ deve viver fechado no enclave de São Bento, dentro de uma ditadura que não lhe permite tomar conhecimento do país e do mundo onde vive, também, outra coisa não seria de esperar de alguém que passa a vida em feiras a negociar com ciganos (de profissão e não de raça atente-se), ladrões e ditadores, como o senhor Chaves, o senhor José dos Santos, ou o senhor Cadhaffi. Recentemente ouviu-o dizer (o Sr. ‘’engenheiro’’ claro), que é preciso investir na educação, dá-me vontade de rir, quando na verdade o que me apetece mesmo é chorar – Primeiro: esse senhor fez parte de dois governos que passou o tempo a apregoar o dialogo e a educação, por isso não fosse o estado lastimável do país e pensaria que esse serviço já estaria feito, - Segundo: este senhor liderou e lidera um governo que passou o tempo a guerrear com as pessoas que ensinam, que baixou a exigência do sistema de ensino o suficiente para poder dizer à O.C.D.E. e ao mundo que Portugal não é um país de analfabetos, e criou um sistema de ensino (novas oportunidades) o qual eu frequentei, em que as escolas recebem pelo numero de inscritos, e em que a formação que é dada não é mais que zero, e em que se transformam cursos de bacharelato em licenciaturas, pela módica quantia do preço anual das propinas, em que a matricula é feita pela internet, o pagamento mensal das ditas propinas por transferência bancária e o diploma vem por correio no final do ano lectivo, e assim sem sequer por os pés na universidade se transforma um bacharel em licenciado, se transforma a estatística das qualificações académicas dos portugueses perante o país e o mundo, licenciados esses que depois vêm para a rua fazer greve porque são licenciados e recebem como bacharéis, mas por incrível que pareça, os portugueses continuam mais burros estúpidos e ignorantes que antes.
     Já aqui desejei o regresso de D. Afonso Henriques uma vez, hoje pode mesmo ser o D. Dinis e o Marquês de Pombal, porque não?
     Uma coisa é certa: se o povo português não sabe escolher em democracia, então, que se fôda, venha de lá a ditadura, sempre tenho que emigrar na mesma, a diferença é que desta vez não vou de assalto, vou de T.G.V. e munido do meu cartão de cidadão que nem direito de voto me dá, e chamam a isto democracia? Como dizia o saudoso Fernando Pessa, ‘’e esta hêm?’’

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

São Cavalos de corrida?

São cavalos de corrida, ou então não… Sei lá
São máquinas velozes que nos fazem delirar e perder o fôlego
Que nos fazem sonhar com vidas que não aspiramos a viver
Vidas perdidas sem sentido futilidades de seres mortais
Que os imortais jamais viveram
São relâmpagos de luz inverosímil
Flashes de ideias igualmente inverosímeis
Utopias perdidas no tempo jamais conquistadas
Universos por descobrir por enquanto igualmente perdidos
Nos espaços temporais de mentes brilhantes, …ou então não.  
São livros por acabar
Essas mentes inquietas que sempre procuram ideias novas
E nunca encontram fim para os problemas que as atormentam
São mulheres férteis geradoras de vida
Essa vida que jamais morre enquanto a memória dos mortais as recordar 
Essa memoria que nos mantém vivos e com todo o esplendor
Da energia prima que a todos nos gerou e alimentou
São cavalos de corrida, ou então não… sei lá.
Sou apenas mais um pobre ignorante
Que se perdeu nas teias do conhecimento
E que foi consumido por um desses insectos devoradores de mentes suculentas
E recheadas de energia que os alimenta para gerarem mais mentes que correm
Em busca de algo que não sabem o que é nem nunca saberão
É o ciclo da energia sempre primordial
Mas sempre em mutação
São espirais de energia
Que correm pelo universo, quais…
Cavalos de corrida
Velozes como o vento das estepes galácticas
Varridas por chuva inteligível
Que nos atormenta desde a idade da inocência
Que grandes cavalgadas eu daria nesses póneis
Assustados por toda a grandiosidade do universo
Esse que ainda tão pouco se sabe se é grande ou pequeno
Porque Einstein se esqueceu de tomar como termo de comparação.
São cavalos de corrida, ou então não… que sei eu???

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Estado de sitio

   Passam-me luas e desejos incontornáveis diante dos olhos,
   Atrás fica o barulho das brochas das botas na calçada,
   Do lado esquerdo, duas meninas perguntam-me se preciso de companhia
   Do lado direito a deslocação de ar de mais um louco
   Com os tímpanos encharcados de poluição sonora.
   E pergunto a mim mesmo qual é o meu destino?
   Mas se eu soubesse,
   Talvez outro tempo e outro espaço fosse o meu ser
   Jamais direi o que tenho para dizer
   Jamais cantarei os poemas de outro poeta,
   A chuva miudinha continua a cair,
   Bate-me na face com a violência de um estalo
   A brisa, desloca-me o cabelo com a suavidade de uma carícia maternal,
   E o desejo invade a vontade do ser;
   Mas não a vontade do ter.
   Sento-me num meco colado à beira da foz
   E ouço o suave arrulhar da água de encontro ao paredão,
   Mais uma fragata que parte em busca de guerras sem sentido
   Recheada de homens, para quem a vida insiste em não fazer qualquer sentido.
   Paragens distantes aos olhares indiscretos,
   De bandidos governados pela ambição do incerto e da insegurança
   Sacerdotes que veneram a deuses sem sentido,
   Frutos proibidos da imaginação humana, e da fé divina
   Que jamais explicarão os mistérios da sabedoria.
   Passam-me planetas e constelações diante da imaginação,
   Para trás ficou o Sol pleno de saudades da filosofia, que um dia foi minha amante,
   Essa que me traiu com a vaidade de ser importante e sem sentido,
   Mas prefiro pensar que à esquerda e à direita ela me continua a ser fiel
   Porque à minha frente ela continua a ser a razão
   Que continua a fazer de mim, o que sou, e o que quero ser
   No pragmatismo da alma, e na hipocrisia do corpo
   Ó seres fúteis e hipócritas, deixai de lado a vaidade dos vossos amigos
   E amai a sinceridade dos vossos inimigos,
   Pois será essa que vos orientará nas galáxias do coração.
   Passam-me luas e desejos incontornáveis diante dos olhos
   E a todos vou agarrar com a mesma paixão, com que vos dedico,
   Esta mesma sinceridade com que vos escrevo estas sentidas linhas!
   Sentidas são as lágrimas,
   Desprezados os sorrisos,
   Procuro as dádivas
   Encontros amigos!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

CAMINHANDO

                                                             III


     E vou andando sem destino ou direcção, é tarde, o sol brilha, queima vida escalda ferida, arrefece tensão, não nascem anjos no inferno, porque será? Haverá anjos? E inferno? Hum …. Dilema….ou nem por isso…      Um papa disse que se deus não existisse na havia ateus, brilhante reflexão mais parecida com diarreia cerebral bastante dotada de ignorância e estupidez, lembre-se senhor papa que se deus não existisse não havia ateus e muito melhor, tão-pouco existiriam cristãos judeus muçulmanos etc. etc. etc.… não quero ser utópico mas quão mais sossegado seria este mundo em que penamos sem todas essas
Guerras causadas em nome da religião e de deuses hipócritas, cínicos, vingativos, insolentes, e tão dotados de todas as imagens humanas, belíssimas pinturas, auto-retratos que fazemos de nos próprios.
     E vou andando sem destino ou direcção, sem saber onde me leva o tempo, sem saber onde me leva o sonho, essa espécie de caderno de encargos que nos guia e move pelas vertentes escarpadas da solidão, pelas vastas estepes do conhecimento, por mares de paixão. E vou andando, caminho por montes e vales e eis que me deparo com o leito seco de um rio, estou cansado, sento-me numa pedra do rio que o tempo e a força da água bruta das tormentas da montanha ainda não desfez, estou sentado, estou cansado, as pernas tremem, tenho sede, tenho fome, estou exausto. Tenho sono. Adormeço.
     Desfolho esse caderno de encargos mais uma vez, as folhas estão em branco, tenho de escrever, sem vontade, desespero, respiro fundo, recordo as coisas boas, analiso as más. Respiro fundo, tremo, sossego adormeço e voo nas asas do vento, nos raios de sol, e nasço, rebento, cresço, mas…. Mas… sou EU, NÃO ACREDITO SOU EUUUUUUU, e riu de mim, da minha estupidez, da minha inocência, e voo e corro e nado e deslizo, sou leve, um simples sopro de ar e deixo-me arrastar pela brisa de um monte para outro, depois para a copa de uma árvore e depois outra e depois outra ainda mais alta e depois para um penhasco distante, uma águia-real não faria melhor, não compreendo como mas sou uma brisa leve e suave, gentil e delicada e voou, mas como, mas porque? Estou pesado, estou a cair, mas porque? Quero voar mais mas não consigo, e caio e a terra aproxima-se a uma velocidade vertiginosa, mas como, e porque? E não acredito, sem controlo não sei o que se passa e caio e caio e caio sem destino e o solo desaparece e transforma-se em nuvem, passo por ela como uma bala e mergulho na luz, …. Na luz? Mas eu estava na escuridão? Que se passou? É um vale de luz brilhante que irradia não sei de onde, não compreendo, não há sombra, o que sou eu de onde vem a luz que me ilumina, onde está a verdade que me salvou? Estava eu mergulhado num mundo de mentira e de ilusão? Encontrei a salvação? O que sou eu? Onde estou? De onde vem toda esta luz? Que foi feito da escuridão? Sopra uma brisa, mas que ouço eu? Uma voz em forma de luz, um rosto em forma de sabor, vejo o som dos passos harmoniosos de alguém que se aproxima, estou tonto, que embriaguez.
     -Como aqui vieste parar?
     -Não sei, talvez tu me possas explicar….
     -Mas como? Que sei eu?
     -Não sei.
     -Que belo par de ignorantes, sabes ao menos como te chamas?
     -Eu sou….não sei? Estou perdido, preciso de ajuda. Podes me ajudar?
     -Mas se tu não sabes quem és como te posso ajudar?
     -Não sei, mas tu… tu não és um deus?!!!!
     -Há! Há! Há! Eu um deus? Quem me dera meu caro.
     -Mas tu… a tua forma, o teu ser a tua voz é tão diferente!!!
     -Pois meu caro amigo, e não são os deuses feitos à nossa imagem?
     -Qual imagem? À minha ou à tua? Que eu saiba, pelo menos pelo que me parece somos bastante distintos um do outro
     -Será que somos? Pois não me acabaste de dizer que não sabes quem és? Como sabes então que és diferente de mim?
     -Mas tu voas como uma brisa de luz e falas por pensamentos, vejo-te por raios eléctricos?
     -E tu, meu caro, como fazes tu tudo isso? Não será por acaso da mesma forma?
     -Eu? Mas eu sou um simples mortal!
     -E então? Conheces acaso alguma coisa que não seja mortal?
     -Hum… vendo bem acho que não, mas… os deuses não morrem!!
     -Hum bem… acho que aí tens razão, pois se não nasceram sequer como podem eles morrer?
     -Não nasceram? Então como existem?
     -Escuta meu caro, os deuses só existem na tua imaginação, enquanto existires eles existirão, quando morreres eles morrerão contigo também, pois eles são uma parte de ti, porque tu és divino e és tu que fazes deles os seres fabulosos que são, porque realmente são feitos à nossa imagem e programados com os nossos sonhos, pois são feitos por nós, tal e qual como quando te olhas ao espelho e formas dentro do teu cérebro uma imagem de ti próprio, da mesma forma crias uma forma para tudo aquilo em que acreditas, os teus sonhos, os teus pesadelos, as tuas tristezas e as tuas alegrias, todos esses mundos imaginários e idílicos, assim como todo o mundo natural e sensorial que te rodeia, tudo isso são uma parte dos deuses, são uma parte de ti, e da mesma forma tu és uma parte de outros deuses, outros seres, e esses seres são deuses e parte de outros mundos outras realidades, porque tudo é realidade, tudo é Vida, tudo é energia
     -Então quer dizer que eu sou um deus?
     -Se assim o quiseres entender és livre de o fazer, mas eu não iria por aí, eu seguiria o caminho da Vida, da química, da física, da explicação racional e não pelo caminho da explicação emocional que está sempre cheio de erros e contradições, tudo o que existe é vida e tudo está interligado numa teia muito complexa para a qual nem sempre, ou quase nunca temos respostas, e é aí que normalmente se comete o erro de imaginar explicações para os nossos problemas, uma espécie de bodes expiatórios que nos livrem dos nossos erros e nos aplaudam nas nossas conquistas.
     -Hum!!!....estou a ver. Mas como sabes tu todas essas coisas? Deves ser com certeza muito sábio?!
     -Há! Há! Há! Não meu caro, devias ter prestado mais atenção ao que te estive dizendo. Tudo faz parte de tudo, uma teia complexa interligada por infinitas variantes, eu sou tão sábio como tu ou como qualquer outro, pois eu sou tu e tu és eu, eu sou o bem e o mal, a alegria e a tristeza, a felicidade e a infelicidade a sabedoria e a ignorância, o que acontece é que existem certas nuances na vida e na forma como ela se nos apresenta e que nos leva a ver as coisas de forma diferente uns dos outros, aquilo que tu vez como sendo de cor azul, ou verde ou vermelho ou branco, não passa de uma ilusão, porque aquando da tua formação sensorial alguém te ensinou a atribuir um nome ás coisas, e só porque ambos as chama-mos pelo mesmo nome não significa que as vejamos ou saboreamos ou escutamos ou sentimos da mesma forma, e a isso chamamos de inteligência, assim como também não podemos dizer que somos mais inteligentes que outros seres, a inteligência de que somos dotados apenas é diferente de outras formas de inteligência, tu não consegues distinguir cerca de quatrocentos mil odores diferentes como fazem certos animais, mas por outro lado fazes coisas que outros animais não conseguem fazer, e é isso que se chama Vida, porque na realidade apenas a Vida é inteligente, porque a Vida é energia, que se move e transforma constantemente, de acordo com regras e normas que nós todavia desconhecemos e não sabemos sequer se algum dia o saberemos.
     -Hum…! Estou a ver, mas dizes que eu sou tu e tu és eu, como é isso possível?
     -Porque eu sou apenas mais um dos teus deuses, aquele que te ajuda a encontrar o caminho, aquele que te diz quem és, de onde vens e para onde vais.
     -E tu sabes tudo isso? E vais-me dizer?
     -Não meu caro, não é preciso, as respostas a todas as tuas perguntas estão dentro de ti, e é o teu caminho encontra-las, só tu podes responder às tuas dúvidas, só tu podes resolver os teus problemas, porque só tu és dono da tua vontade, porque a vida e a energia existem dentro de ti como em tudo o demais.
     -E como vou eu fazer tudo isso?
      E vou andando, mas agora com destino, vou à procura, ainda não sei de quê, nem porquê, mas sigo andando, à procura de respostas, tenho consciência que nem sempre as encontrarei e que nem sempre as que encontrarei serão as correctas, mas vou andando, caminhando, voando, saltando, nadando, deslizando, saberei fazer o meu caminho, a minha vida, por montes e vales sob a forma de vento, atravessarei planícies sob a forma de luz, e saberei que tudo serão ideias da minha imaginação, mas saberei também que uma coisa será real, que sou real e sei quem sou e sei em que acredito.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Os Hipócritas

        Os hipócritas
      Hoje é dia 1 de Novembro de 2010, dia de mais um feriado religioso portanto, mais um dos 9 feriados religiosos que temos em Portugal ao longo do ano. Num total de 14 feriados nacionais 9 são religiosos, grande sem duvida o peso da igreja e da religião num estado que se diz e proclama de laico, nos últimos 25 anos tivemos 20 de presidentes da república laicos, o actual ninguém sabe o que ele é coitado, é mais um daqueles hipócritas que quando atravessa uma ponte de cordas em mau estado de conservação, tipo a ponte de Entre-os-rios, e lhe dá a chuva e o vento lateral grita desesperadamente, ‘’ deus é bom, mas o diabo também não é mau’’, afinal é assim que se ganham eleições.
     Pois é isso mesmo meus amigos que eu não entendo, se o estado é laico, porque que cargas de água se proclamam festas religiosas como feriados nacionais? Se se diz e proclama na constituição que todos os cidadãos gozam de liberdade de expressão e de orientação política e religiosa, que não deve haver distinção ou qualquer tipo de descriminação entre orientações políticas religiosas, entre raça cor ou etnia dos cidadãos ou de toda e qualquer pessoa estrangeira que visite o país, porque diabo se descriminam todas as festas religiosas em detrimento de uma única religião? Eu sei e concordo que em democracia vence a maioria, e Portugal é maioritariamente cristão, (pese embora nunca tenham lido a bíblia nem pratiquem nada do que a religião lhes diz, mas os feriados é certo dão-lhe um jeitão para arrumar mais uma grevezinha e um passeio pelo centro comercial ou um fim de semana no Algarve), mas também sei que a liberdade democrática de uns acaba quando começa a liberdade democrática de outros, a não ser claro na liberdade democrática dos Estados Unidos da América em que a liberdade democrática dos outros acaba quando começam os seus próprios interesses económicos (‘’in god we trust’’), mas isso não é no entanto, na minha modesta opinião, motivo para que se não faça a tão proclamada independência do estado face à igreja.
     Eu não sou daquelas pessoas que passa a vida a criticar, mas que nunca apresentam ideias alternativas, como tal aqui fica a minha modesta participação. Celebramos a restauração da independência, a implementação da republica, o fim de um regime ditatorial, comemoramos um poeta e até mesmo um dia para o trabalhador, e não deixa de ser irónico que a nível de personalidades não celebremos e homenageemos o fundador da pátria portuguesa Dom Afonso Henriques, não há um dia dedicado á fundação da nossa pátria, que tal o dia 24 de Julho pela vitoria na batalha de São Mamede em 1128, ou o dia 5 de Outubro pelo tratado de Zamora onde Dom Afonso VII reconhece o reino de Portugal e o título de rei a Dom Afonso Henriques, ou o dia 23 de Maio pela bula papal que declarou definitivamente o reino de Portugal em 1179? Ou até mesmo no domínio dos direitos humanos onde Portugal foi pioneiro, que tal o dia 25 de Fevereiro pela abolição da escravatura em 1869, ou o dia 1 de Julho pela abolição da pena de morte em 1867? Serão factos da nossa história de menor importância comparativamente ao 25 de Abril de 1974?
     Em relação às festividades religiosas, acho que devíamos dar uso á grande prática adquirida nos últimos 36 anos no domínio das tolerâncias de ponto, e dar tolerância de ponto (sem remuneração claro está) nas datas festivas (até um certo e determinado limite de dias por ano) de todas a orientações religiosas às pessoas que se confessem a uma religião, dando igual numero de dias à escolha durante o ano para aqueles que se confessem Ateus. Isto sim seria uma democracia em que o estado laico defende de igual forma os interesses de todos os cidadãos sem qualquer tipo de descriminação, onde se defenderia a igualdade entre todos como muitos prosaicamente proclamam, mas que nunca praticam, são os chamados hipócritas, faz o que eu digo não faças o que eu faço.
     Considero meus amigos que os tão proclamados valores de Abril estão esquecidos se é que alguma vez existiram, é que no dia 26 de Abril de 1974 já havia uns senhores a quererem impor a ditadura em Portugal outra vez, apenas com uma cor diferente, mudaram o nome às pontes, roubaram cidadãos, impuseram datas festivas, … tudo em nome da Liberdade, mas Portugal já era livre muito antes de eles cá chegarem, até somos o pais da Europa, com as fronteiras estabelecidas mais antigas, até isso seria motivo de dia feriado, (tratado de Alcanices entre o rei dom Dinis e o rei de Leão e Castela dom Fernando IV, 12 de Setembro de 1297), porque há muito na nossa historia de que nos podemos orgulhar sem continuar a vassalagem à igreja, até porque nós já éramos independentes antes da igreja o proclamar.
      O Dom Sebastião deveria voltar sim, mas devia se chamar Afonso Henriques.
     À TUA … GRANDE DOM AFONSO HENRIQUES!!!!