terça-feira, 20 de setembro de 2011

A Justiça dos Homens



''Não se deve responder à injustiça com a própria injustiça, pois não nos é permitido se injustos.''
(Sócrates)

     Há alguns dias atrás, foi condenado um cidadão português, Henrique Sotero, mais conhecido por ‘’o violador de Telheiras’’, a 25 anos de prisão efectiva, pena máxima aplicável em Portugal. Henrique Sotero foi considerado culpado de 71 dos 73 crimes de que era acusado. Foi dado como provado que o engenheiro de telecomunicações cometeu crimes de violação, sequestro, roubo, coacção, ameaças ou ofensas corporais contra 16 vítimas: duas eram do sexo masculino, as restantes 14 eram do sexo feminino, e tinham entre 13 e 22 anos. Sotero, foi ainda condenado ao pagamento de indemnizações no valor total de 170 mil euros. As seis vítimas que o requereram serão indemnizadas com valores entre os 20 e os 35 mil euros.
    Primeira pergunta: quem vai pagar as indemnizações? O condenado tem posses e bens que o permitam fazer, ou as vítimas vão esperar que ele saia da prisão para ganhar dinheiro que o permita pagar o dito valor? É que só na segunda opção compreendo que o dito senhor não seja acusado a prisão perpétua, ou até mesmo a pena de morte, não se fosse dar o caso de em Portugal, este país de brandos costumes, que não se cansou de matar chefes de estado no século XX, nenhuma dessas penas ser possível.
    Em 1852, é abolida para crimes políticos a pena de morte em Portugal, (artigo 16º do Ato Adicional à Carta Constitucional de 5 de Julho, sancionado por D. Maria II).
    Em 1867 é abolida para crimes civis, excepto por traição durante a guerra,  (Lei de 1 de Julho de 1867). A proposta partiu do ministro da Justiça Augusto César Barjona de Freitas, sendo submetida à discussão na Câmara dos Deputados. Transitou depois à Câmara dos Pares, onde foi aprovada. Mas a pena de morte continuava no Código de Justiça Militar. Em 1874, quando o soldado de infantaria nº 2, António Coelho, assassinou o alferes Palma e Brito, levantou-se grande discussão sobre a pena a aplicar.
    Em 1911 é abolida a pena de morte para todos os crimes, incluindo os militares.
    Em 1916 é readmitida a pena de morte para traição em tempo de guerra.
    Em 1976 é abolida totalmente a pena de morte em Portugal quando a Assembleia Constituinte, reunida na sessão plenária de 2 de Abril de 1976, aprova e decreta a Constituição da República Portuguesa, da qual o Artigo 24º decreta assim.
    Direito à vida
          1. A vida humana é inviolável.
          2. Em caso algum haverá pena de morte.
    Já vem de longe a nossa incapacidade de resolver as coisas bem e depressa, nesta questão em particular demoramos apenas e só, 124 anos a resolver o problema de uma vez por todas.
    Quanto à pena de prisão em Portugal, o limite máximo da pena é de 25 anos, não podendo este ser excedido em nenhum caso. Com a Reforma Penal de Sampaio e Melo em 1884, Portugal tornou-se a primeiro país do mundo a abolir a pena de prisão perpétua. Curioso como resolvemos o problema de prisão perpétua muito melhor e mais rápido do que o da pena de morte.
    Para os cidadãos da Antiga Roma, a pior pena que se podia aplicar a alguém era a privação física da liberdade, os cidadãos romanos não conseguiam simplesmente conceber tamanha tortura e atrocidade a um ser humano, (os escravos não eram considerados seres humanos, mas sim objectos de posse), sendo dessa forma o exílio da cidade de Roma, a pena máxima a aplicar, sendo mesmo considerada pior que a morte, e que a pena aplicada a condenados por parricídio (eram metidos dentro de um saco fechado juntamente com um cão um gato e uma cobra).
    Actualmente, no Canadá, a prisão perpétua é obrigatória em caso de assassinato. O período mínimo para a liberdade condicional é de 25 anos para assassinato em primeiro grau, e de dez anos a 25 anos para assassinato em segundo grau. Na Grécia, a "prisão à vida" dura 25 anos, e pode-se pedir liberdade condicional depois de dezasseis anos. Na Alemanha, o período mínimo de "prisão à vida" é de 15 anos, podendo após esse período ser pedida a liberdade condicional. Na Polónia, o indivíduo sentenciado à prisão perpétua deve ficar preso pelo menos 25 anos antes de poder pedir uma liberdade condicional. Em Itália, a prisão perpétua (ergastolo em italiano), tem uma duração indeterminada. Depois de dez anos, o prisioneiro pode receber o direito de sair da prisão durante o dia (precisando voltar à noite). Depois de 26 anos pode pedir a liberdade condicional. Na Suécia, a prisão perpétua tem tempo indeterminado, na prática jamais inferior a dez anos.
    Pessoalmente, tenho serias dúvidas entre escolher prisão perpétua ou pena de morte, mas 25 anos é brincadeira. O Artigo 25.º da nossa Constituição diz relativamente à integridade pessoal que:
1. A integridade moral e física das pessoas é inviolável.
2. Ninguém pode ser submetido a tortura, nem a tratos ou penas cruéis, degradantes ou desumanos.
    Por seu turno o numero 1 do Artigo 27º diz que: Todos têm direito à liberdade e à segurança.
''A prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua. Existem homens presos na rua e  homens  livres na prisão . É uma questão de consciência.''
 (GANDHI)
    Custa -me a aceitar que um crime de sangue saia impune com 25 anos, ou pior ainda, que seja tão grave matar uma pessoa ou matar 20 ou 30. Um massacre como o que assistimos recentemente em Oslo, em Portugal passa com 25 aninhos. Aceito que se equipare uma violação a um assassinato em termos de ética moral. Mas em termos penais não. Uma vítima de violação continua a poder lutar e defender o que é seu, mas uma pessoa que morre acaba ali. Os filhos de uma vítima de violação podem continuar a contar com o seu progenitor, um órfão não. É claro que pôr fim a uma vida por esta ter posto fim á vida também, é responder à injustiça, com a própria injustiça, o que não deixa de ser injusto, pelo que a privação da liberdade física me parece ser de todos o mal menor. Mas também confesso que me faz uma certa confusão que alguém que põe fim a uma ou a várias vidas de forma consciente e premeditada possa sair em liberdade após 25 anos ou até menos, ou como no caso do nosso violador, que depois das atrocidades cometidas, possa estar por aí a passear-se alegremente entre nós dentro de uma dúzia de anos. Há no entanto uma situação em que eu aceitaria uma pena de 25 anos para crime de sangue: desde que esta pudesse ser acumulada em caso de condena por mais do que um crime.
     As sociedades mudam, evoluem e adaptam-se, mas creio que para quem demorou tanto tempo a abolir a pena de morte de forma definitiva, fomos definitivamente rápidos demais a respeitar a Vida, de quem a Vida despreza. 

domingo, 18 de setembro de 2011

As contas da crise


    Não deixa de ser engraçado, depois da tomada de posse deste novo governo, a onda de protesto e contestação que se levantou por parte da população mais afecta a ideologias de esquerda, seja lá o que raio isso é. É também engraçado que se critique esse mesmo governo, quando este nem dois meses de posse tem, ainda nem lhe tinham dado tempo de arregaçar as mangas e já lhe tinham caído em cima, acusando-os do estado calamitoso em que o país se encontra.
    Nunca é de mais lembrar que o estado em que este governo apanhou a boleia do poder foi o da banca rota técnica, não foi de banca rota efectiva porque o governo anterior foi como que obrigado a fazer um pedido de resgate financeiro às instituições internacionais, quando um mês antes tinha dito que isso não seria necessário, e depois já só havia dinheiro para salários até ao final de Maio, caso contrário já as pessoas que continuam a refilar, não tinham comida para por na mesa dos filhos, é que parece-me que as pessoas não têm bem a noção do que significa uma banca rota, e se até hoje não o sabem, é talvez porque Portugal ocupa uma posição estratégica no contexto mundial, e como tal as grandes potencias não têm interesse nenhum que isso aconteça, caso contrário podíamos muito bem ser a Argentina da Europa.
     Também é sabido que esse resgate deveria ter sido feito dois anos antes, tendo dessa forma poupado muito dinheiro em juros, e sacrifícios à população. Mas a pergunta que se impõe é se haveria condições políticas para o fazer? O governo socialista se o fizesse, reconhecia a sua incompetência governativa, mas revelava ao mesmo tempo um colossal sentido de Estado, que poderia até mesmo levar ao perdão deste povo de brandos costumes que mais políticos e chefes de estado assassinou no século XX.
     Depois das eleições de 2009 o PSD passou a deter o poder de deitar o governo abaixo ao recusar qualquer um dos famosos PEC’s, bem como os orçamentos de Estado. Mas se o fizesse, deixava que o PS se escapasse impune das responsabilidades que tinha da péssima governação que tinha vindo a levar a cabo, arriscando-se mesmo assim a ganhar as eleições novamente. Desta forma, parece que o PSD foi também conivente no arrastar da situação, percebendo que essa seria a única forma de chegar ao poder, obrigando o PS a comprometer-se com o acordo de ajuda externa, e tentando assim arrasta-lo consigo num acordo pós eleitoral.
    Mas depois das eleições o que acontece? O sr. Sócrates sai de mansinho e sem estrilho pela porta das traseiras, até porque tem o rabinho entalado em muita coisa que não lhe interessa de que se fale. O PS elege um novo secretário-geral, e muda o cata-vento a 360º graus. Eu não tenho nada a ver com isto, nós não estamos comprometidos com isto, nós trouxemos a banca rota ao país mas isso não conta nada, até porque o que conta não é o passado, muito embora o assumamos, mas o que conta é o futuro, e o péssimo caminho por o qual este governo nos está a conduzir, nós somos aqui del Rei o grande e único protector do povo a quem andámos a roubar durante os últimos 15 anos, nós somos os únicos que sabemos o que é, e que defendemos o estado social, o SNE, e a educação pública, resumindo, nós somos quem sabemos tudo, fazemos tudo melhor que todos, incluindo a descobrir os auspiciosos caminhos da banca rota.
    Posto isto, este inteligente povinho, embarca naquela lengalenga, de que os políticos são todos uns gatunos e incompetentes (e alguns são-no realmente), mas como incompetentes que são, têm a obrigação de governar de forma competente, e logo ao fim de dois meses. Eu tenho a minha casa toda desarrumada, mas ainda antes de começar a arrumar, já me estão a acusar de ser um calão incompetente, de não ser capaz de arrumar nada, e pior, quem me critica também não sabe como se arruma, mas não pára de dar palpites e ordens como se soubesse muito bem do que fala, mas quando se lhe pede que arrume ou ensine como se faz, - não não, eu sei como se faz, mas não te digo, tu é que tens de fazer.
    Depois temos aquela oposição que não se opõe por saber fazer melhor, ou porque tem ideias melhores, mas faz oposição de dizer mal e bota abaixo, simplesmente porque tu não prestas e eu é que sei e eu é que sou o bom, quando lhe perguntam porquê? A resposta natural é: - Porque sim!
     Um conhecido humorista da nossa praça, um dia destes publicou numa das suas crónicas que faz regularmente para um conhecido órgão de comunicação social da também nossa praça, e com a graça que lhe é tão merecidamente reconhecida, que Portugal é hoje um país do norte, «vive como no norte de África e paga impostos como no norte da Europa». Mas acerca disso também é preciso não esquecer que Portugal durante os últimos vinte anos, já era um país do norte, visto que vivia no norte da Europa, com rendimentos e produtividade do norte de África.
     Ora, eu sempre ouvi dizer que ninguém dá nada a ninguém, como tal, as dívidas têm de se pagar, senão somos acusados de ser vigaristas e caloteiros. Ora para pagar essas dívidas vamos ter de continuar a ser um país do norte, pagar impostos como no norte da Europa, viver como no norte de África, produzir como no norte da Europa, e poupar como no norte da China, mas parece que, a julgar pela onda de contestação que se aproxima, que preferimos ser como os do norte de África. Eu por mim já me contentava se os portugueses, soubessem de uma vez por todas ser portugueses, e que soubessem ocupar o seu lugar de uma forma ponderada, sensata e inteligente, que deixassem de pensar tanto no seu umbigo e começassem apensar mais no futuro dos seus filhos.                
    A julgar pelo discurso da contestação, basicamente o que certas pessoas querem, é manter todas as mordomias que tinham e que nos trouxeram até aqui, e não ter que fazer sacrifícios. Querem que o estado lhe providencie tudo, mas não querem pagar impostos, exigem que o governo faça cortes, mas depois queixam-se que ficam sem emprego, e com menos serviços do que tinham antes. Lamento informar, mas não é possível fazer ajustamentos económicos sem sacrifícios, e quanto maior for o desajuste maior serão os sacrifícios, quanto mais tempo demorar o ajuste, maior será o sacrifício.
    Foi e continua a ser grande a contestação ao aumento do IVA da electricidade e do gás, só para dar um exemplo. A crítica é feita como se, se tratasse de um crime de lesa-pátria, mas é sabido que o aumento estava previsto e garantido há muito, o governo o que fez foi antecipar em 4 meses essa medida. Em relação a isto vamos fazer umas continhas simples. Tomemos como exemplo uma família que gasta 50€ de electricidade, até agora sobre esses 50 € pagava 6% de IVA, ou seja 3€. Com o novo aumento do IVA passa a pagar 23%, ou seja 11,5€, um aumento de 8,5€. Tendo em conta que o preço um maço de tabaco dos mais baratos deve rondar os 3,5€, e que se um fumador fumar 1 maço por dia, bastam-lhe dois dias e uma manha sem fumar, para pagar esse aumento de impostos. Uma pessoa que costume tomar o pequeno-almoço no café, basta-lhe menos de uma semana a tomar o pequeno-almoço em casa com a sua família para poupar esse aumento de impostos. O mesmo se aplica, á cerveja e aos caracóis que se tomam mais os amigos depois de sair do trabalho, dos telefones e custos de chamadas para os filhos adolescentes, para as idas ao futebol, para as trocas de transportes públicos pelo automóvel, pelas saídas á noite, para as deslocações a pé ou de bicicleta ao café, etc. Etc. Etc. Em Portugal vejo as pessoas com hábitos e formas dispendiosas de vida, que não vejo em países esses sim do Norte da Europa fazerem.
    Entristece-me que um país que sente tão grande orgulho e patriotismo pelos jogadores da bola, pelas medalhas nos jogos olímpicos, pelos seus recordes do livro do guinesse cada um mais parvo e estúpido que o outro, o seja tão pouco quando se trata de lutar pelo bem-estar da sociedade, pelo bem comum, e mais importante que isso tudo, pelo futuro dos seus próprios filhos.
    Haja Pachorra!!!! 

sábado, 10 de setembro de 2011

A essência do cromossoma original

Confesso que já me começa a cansar e a enjoar toda esta treta do 11 de Setembro.

 Onde estava no 11 de Setembro? Ai os memoriais, as pessoas coitadinhas que morreram nos aviões e que se atiraram, e os bombeiros, um massacre, o mundo mudou, quase 3000 mil pessoas morreram.....bááááááá..........


Será que o mundo mudou assim tanto com o ataque de 11 de Setembro? Não me parece. Está tudo como estava antes. O ser humano continua egoísta como sempre, luta sempre pela sua sobrevivência, e para ter sempre mais e melhor, continua a pagar o mal com o mal, dente por dente e braço por duas pernas quando não é o corpo todo. 




A América vai por esse mundo fora á procura de crescimento, quem negoceia eles compram e vendem, quem não negoceia eles matam, os filhos dos mortos vingam-se, mas os EUA não se importam, desde claro, que não seja em sua própria casa, muito menos no escritório. Vai dai, fazem a guerra contra o terror, mas na verdade é contra os que se opõem aos seus interesses. Engraçado como nesta época natalícia todos somos bonzinhos e solidários, mas é só das 8 horas do dia 24 de Dezembro até as 16 horas do dia 25, depois já não há mais solidarismo. Agora anda tudo muito nostálgico com o 11 Setembro, mas durante os outros 364 dias do ano, não vejo ninguém a chorar as dezenas de cidadãos inocentes que tiveram o azar de as mães os parirem dentro do arame farpado errado, e que morrem todos os dias às dezenas e centenas, apenas por vingança e capricho e interesses daqueles que os matam e massacram todos os dias.

 O mundo está na mesma amigos. 

Num confronto em Persepoles, o exército de Alexandre esmagou o exército de Dário. Mais de 100 mil pessoas morreram em 2 dias. Em Canas, Aníbal massacrou um exercito de 80 mil romanos, 20 anos depois em Zama, os romanos vingaram-se e massacraram Aníbal, mais de 60 mil morreram num dia, e a historia repete-se continuamente ao longo de séculos e milénios. Civilizados? my ass....Continuamos agarrados aos cromossomas da selvajaria, afinal somos apenas animais, super predadores...


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

É em Ti que penso


Quando as aguas correm
Penso em ti
Quando o vento foge
Penso em ti
Quando o tempo escolhe penso em ti
A natureza manda
E com força penso em ti
Se serás tu que anda?
A pintar o bom momento
Vivo e encontro
Beijo e abraço
Sinto o calor
O beijo, e aperto
Acalmo a dor
E sinto paz, sinto-te a ti
Porque também sentes
Porque também pensas e abraças
E beijas e voas com o vento
E somos ar e luz
Energia pura, e respiro
E penso, não em ti
Penso em nós
Qual força única e forte
Saudável e leve
E penso em ti
A vida corre, mas ate ao final
Tenho a companhia
Tenho a energia
E o teu abraço
Forte, quente, húmido, ternamente, carinhoso
Loucos, irracionais
Mas penso
E penso
Na agua
No vento
E penso
E és tu doce flor
Doce tu
Doce sorriso que voa
E em meus lábios ecoa
És tu em quem penso…

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A Verdade escondida


A verdade de cada um, nada tem a ver com a verdade da Razão

     Sabem quando é que 2+2=5? Quando a conta está errada. E com este pressuposto, a afirmação de que 2+2=5 passa a verdadeira, não deixando contudo de ser falso que 2+2=5. A Verdade Universal, diz-nos que 2+2=4, e essa é, a verdade da Razão, apenas, porque está isenta de pressupostos humanos, porque sempre que o ser humano pressupõe algo, geralmente faz asneira, o mesmo é dizer, altera a Verdade Universal, transformando-a na verdade de cada um de nós.
     Tentem imaginar dentro das vossas mentes, a imagem de um lago, de águas límpidas e cristalinas, em que a superfície não se move absolutamente nada, lago esse rodeado de um deserto de areia, de areia amarela, não de uns grãos de areia mais amarelos ou mais escuros, mas de grãos de areia todos da mesma cor sem excepção, uma superfície de areia completamente lisa e plana, onde nada acontece, nada se move, nada se altera. Este é o cenário da Verdade Universal.
     Dentro deste cenário, imaginem então que surge uma pequena brisa de ar, que levanta tão-somente um ínfimo grão de areia e a desloca para a superfície da água, e com este pressuposto, alteramos já o cenário da Verdade Universal, tanto do lago como do deserto. Imaginem que a brisa ligeira se torna agora numa aragem mais forte, e mais grãos de areia se elevam, caindo uns no lago outros no deserto, mudando assim de sítio, alterando a forma lisa e plana do deserto, e fazendo mexer a superfície do lago, e imaginem ainda que essa forte aragem se torna em vento, em vento forte e por fim numa tempestade, o deserto deixou agora de ser plano e tem dunas de areias umas mais movediças que outras, a superfície do lago tem agora ondas e deixou de ser límpida e cristalina. O cenário deixou assim de ser a Verdade Universal de um plano de água e areia, passou a ser o cenário da Verdade da água, areia e vento, sob a influência de uma tempestade de pressupostos.
     Podemos continuar assim, se o desejar-mos, a incluir pressupostos nos nossos sucessivos cenários, alterando sempre assim a Verdade pessoal de cada um dos cenários, na verdade pessoal do cenário que se lhe segue, mas a Verdade Universal de cada um dos elementos continua lá escondida, apenas está distorcida por de trás da verdade pessoal de cada cenário.
     Eu acredito num cenário de Verdade Universal, em que um deus cria um mundo perfeito á sua própria imagem, mas acontece que depois esse mesmo deus altera os pressupostos, deixando esse mundo de ser em si uma Verdade Universal, para se tornar apenas num reflexo dessa imagem,e isso é algo em que já não posso acreditar.
     Hoje em dia, neste mundo global em que lutamos pela sobrevivência da espécie, somos bombardeados constantemente por pressupostos, que alteram as verdades que conhecemos, a Verdade Universal que julgamos conhecer, mas que na verdade, não passa apenas da nossa própria verdade pessoal. E é no fundo por isso que existem pessoas teimosas, que defendem até á exaustão as suas verdades pessoais como se fossem Verdades Universais. São pois essas pessoas, de todas, as que menos próximos estão da Verdade Universal. Para atingir essa mesma Verdade Universal, é preciso retirar do cenário, todos os pressupostos que se somaram á equação, mas dado que a equação (a que alguns chamam de’’a formula de deus’’), já foi criada há tanto tempo, que muitos foram os pressupostos que sucessivamente se foram sobrepondo. Algo me diz que nos estamos constantemente a afastar da Verdade Universal, a menos que, deixemos de sobrepor novos pressupostos em cima da equação original, e, ao mesmo tempo, tentemos identificar quais são os elementos que fazem parte dos pressupostos, e quais os elementos que fazem parte da equação original, nunca conseguiremos nos aproximar da dita Verdade Universal.
     Não é por eu afirmar com um ar muito convicto e argumentos convincentes numa primeira análise, de que o cristianismo é que é verdadeiro, que o torna realmente verdadeiro, da mesma forma, não é por defender com a minha vida de que o comunismo é bom e o capitalismo mau, que isso faça de um ou do outro a verdade suprema. É que toda e qualquer afirmação que possamos fazer nesse sentido, não está isenta de pressupostos, muitos e aos molhos, pressupostos esses que alteram a percepção que temos da Realidade. Ora, sem uma total abstenção de complexos, preconceitos, estereótipos, e outros tipos de pressupostos, fica difícil uma análise cuidada e realista daquilo que pretendemos que se aproxime o mais possível da Verdade Universal.
     Todos nós devemos funcionar nas nossas análises da realidade, como um filtro, tentando separar aquilo que é realmente a Verdade, daquilo que nos querem fazer impingir como sendo verdade. Por isso continuo a defender, que a melhor aposta que qualquer sociedade pode fazer na sua busca do sucesso, é a da educação e formação dos seus cidadãos, porque quanto melhor estes estiverem preparados para distinguir os pressupostos, mais clara e verdadeira será a percepção que tem do mundo em que vivem.
    Já dizia o grande Aristóteles, «se penso, logo existo». O que não significa que todos os que existem, pensem de Verdade. Mas fazer o quê? Pressupostos!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A Profecia da desgraça.


 Sempre ouvi dizer que quem esta mal muda-se, e as coisas estão-se a por realmente mal, e aí é que as pessoas vão começar a abrir realmente os olhos, a necessidade promove o engenho, temos de começar tudo de novo outra vez.Dia 15 de Outubro vai haver uma grande manifestaçao entre Portugal e Espanha da chamada geraçao á rasca.Vão-se manifestar, ok mas vão reivindicar o o que afinal? Não consigo perceber, é que devo ser mesmo burro. eu nao tenho emprego, eu sou precário, abaixo os políticos, abaixo os chulos e os corruptos, abaixo o capitalismo, envergam-se umas t-shirts do Cheguevara e do Bob Marley, fumam-se umas brocas. Geração á rasca my ass. Geração de tótós 



     Nos anos 60 do século passado houve muitas manifestações que mudaram o mundo. Direitos humanos, racismo, o voto para as mulheres. Coisas fundamentais e estruturantes, mudanças de mentalidades e de paradigmas. Sinceramente não me parece que seja isso que esta aqui em causa neste momento. os jornalistas vão á manifestação entrevistar um activista, e  ele não sabe dizer nada, nem sequer consegue explicar de forma consistente o que está ali a fazer.

Nos anos 60 era preciso mudar o mundo. hoje somos nós que nos temos de adaptar ao mundo. Vejo as manifestações no norte de África e médio oriente, e essas sim têm razão de ser. Quando aqui a geração está á rasca, aqueles pobres diabos estão muito mais que fodidos e mal pagos.

Temos de olhar o mundo de uma forma realista e constante, porque o mundo muda mais num dia que mudava antes em 100 anos. Vejam bem o que se passa á vossa volta, crise economica e financeira no mundo ocidental, revoltas contra regimes totalitaristas em África e médio oriente, êxodo migratório de África Ásia e america latina rumo aos países industrializados, eminente colapso financeiro das maiores economias do mundo, e se hoje a Europa e restantes países da OCDE têm o nível de vida que têm, é graças á exploração massiva dos recursos de países sub-desenvolvidos governados por ditadores que ficam com a riqueza e deixam o povo passar fome, mas as pessoas desses países também aspiram a  viver como nós, e têm todo o direito de o exigir. Acham que há recursos no planeta para sustentar tanta gente? Com o respectivo aumento demográfico que isso causa, e manter esse nível de vida igual ou superior ao que temos??? em 2008 faliram 2 ou 3 bancos nos estados unidos e Inglaterra, e isso trouxe-nos ate aqui. neste momento são estados, países que correm o risco de falir. Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha, Itália, França, Suécia, Bélgica, estados unidos da americia, (estão tecnicamente falidos), a própria china vai atrás se alguns destes forem abaixo.Conseguem imaginar as consequências deste cenário?

Aquando da crise de 2008, foi notório que o modelo económico que se tinha vindo a seguir estava esgotado, o que se deveria ter feito? Mudar de modelo, mas as mentalidades não mudam assim de um dia para o outro, continuou-se a investir em especulação, não imobiliária mas desta vez em dividas soberanas, é tal a dimensão da catástrofe que se avizinha que os super ricos já dizem que se calhar é melhor começarem a pagar a crise também, porque o risco que eles tem de ficar sem nada é real. Acham mesmo que a solução da crise está no crescimento económico como até aqui? crescer quanto e até quando? Consegue o mundo inteiro crescer economicamente por tempo indefinido? Não me parece...

Temos de partir para um novo modelo económico no futuro, mas isso não é algo que se faça a régua e compasso em cima de um estirador, e muito menos no escritório de meia dúzia de advogados e economistas.

Vai haver grandes crises ainda mais graves, pode mesmo haver guerras, e o Homem vai-se adaptar e vai resolver todos esses problemas como sempre faz.pelo menos é essa a minha profecia, até porque nem só de desgraça vive o Homem.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

De cigarros e da Ignorância!


    Aqui fica mais um tesourinho de autoria do autor, algures durante o decorrer do ano da graça de 1985. Se ficarem surpreendidos com a profundeza de tamanha reflexão em tão tenra idade, lembrem-se que aos seis anos de idade já o autor questionava a teoria criacionista do Universo.

Será o cigarro um companheiro ou um acto banal, será ele um assassino ou simplesmente um amigo, será um acto de imitação ou o resultado de uma imaginação e criatividade única?
    Muitas são as vezes em que eu me pergunto acerca daquilo que pode levar um indivíduo a pegar num cigarro ou a aceita-lo e por conseguinte a fuma-lo.
    É bem verdade que um cigarro nos faz companhia quando nos encontramos sós, ou muito simplesmente quando não nos encontramos bem com nós próprios, isto é, quando existe algo que nos perturba psicologicamente, na medida em que o ser humano é complexo ao ponto de se deixar influenciar pelos sentimentos dos outros indivíduos ou pelos seus próprios sentimentos, e, é aí que o cigarro nos aparece para nos fazer esquecer o problema que nos atormenta, aquilo que qualquer bom amigo faria se estivesse por perto, sendo assim também é o cigarro um pouco amigo, mas não tanto amigo assim, já que todos nós sabemos que o cigarro prejudica gravemente a saúde.

    Agora uma reflexão mais actual.
    Todos devem estar recordados de há uns tempos atrás ter surgido um surto da bactéria e-coli numa região alemã, mais concretamente na baixa Saxónia. As autoridades alemãs suspeitaram de inicio que a origem do surto poderia se encontrar em pepinos e tomates importados de Espanha. Pese embora nenhuma destas suspeitas se ter confirmado, pese o  esclarecimento das autoridades espanholas e portuguesas de que as variedades hortícolas em causa não serem comercializadas em Portugal, verificou-se um quase boicote total por parte da população aos produtos hortícolas, tudo isto ao mesmo tempo que a epidemia ainda se encontrava restrita a essa região especifica da Alemanha, sendo que os casos existentes em outras regiões ou países, se verificarem em indivíduos que se tinham deslocada à Baixa Saxónia.
     Já há alguns anos que em Portugal, e também no resto da União Europeia que as embalagens de tabaco dizem claramente em letras escura e garrafais, ''FUMAR MATA''. Todos sabemos que fumar provoca doenças cancerígenas e cardiovasculares, e de que as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em Portugal, mas que diabo, ainda não vi um boicote ao tabaco como o que fizeram ao raio dos tomates e pepinos. QUE POVINHO MAIS BURRO!!!!.

domingo, 14 de agosto de 2011

Criticavam o materialismo? Pois agora aí têm.


 Engraçado como se critica tanto o materialismo da nossa sociedade, e quando cortam os rendimentos que lhe dá acesso, todos reclamam. ainda me lembro bem dos natais da minha infância, depois dos governos comunistas do pós 25 de Abril nos terem roubado tudo o que tínhamos e de nos espoliarem do nosso país, e nos obrigarem a deixar a nossa casa e os nossos parcos pertences, e a fugir de uma guerra civil que nos ameaçava a vida.
    Eram natais onde íamos para a serra recolher lenha para nos aquecer-mos á lareira á noite, onde íamos para os campos apanhar ervas aromáticas e medicinais para vender, afim de poder ter algum dinheiro para poder comprar botas e livros para ir para a escola. Prendas também tinha no natal, ainda hoje me lembro de um peão que o meu pai me fez de um tronco de carrasco, todo tosco, enfiou-lhe um prego de alto abaixo, e queriam ver como ele desandava nas horas.         Também me lembro de no verão os meus colegas irem um mês para a praia e eu ia dar serventia a pedreiros, e guardar as cabras.
    Lembro-me de o meu pai investir num negocio onde pagou juros a 42% ao ano na outra crise em que o FMI cá esteve.     Devo estar a ficar velho, pois já me lembro de muita coisa. Lembro-me por exemplo dos milhões que a Europa para aqui mandou que incentivou este pais ao laxismo, lembro-me de os pais não ensinarem os filhos a trabalhar, e de os manterem a viver em casa ate aso  30 anos.
    Esta sociedade não está á rasca, o caso é bem pior, é uma sociedade de tótós que choram de mimo á mínima dificuldade. Agradeço todos os dias aos meus pais pela educação que me deram em  dias felizes de dificuldades por que passamos, mas que me ensinaram e prepararam para dias difíceis que temos pela frente. Se a electricidade está cara, azar, eu fazia os trabalhos de casa á luz de uma vela ou de uma candeia a petróleo, e brinquedos? vou ensinar á minha filha que muito mais divertido que brincar com eles, é fazê-los.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Crescer


São remoinhos no espaço
Engolem tudo á passagem
Tudo sonho, e nada faço
Não passa de uma miragem
Aves voam sobre a paisagem
De flores e erva fresca
Também estão de passagem
Por uma terra como esta
Sob o limpo céu
Sobre as águas revoltas
Também vou voando eu
Dentro de um tempo que não volta
A calma, essa volta
Na carícia da manha
Já a noite, se revolta
Quando cai do seu divã
Quem caiu fui eu
Mas continuo a lutar
Com todo o esforço meu
Sigo aprendendo a voar
Fecho os olhos e vejo
O nada, dentro do todo
Abro os olhos, pestanejo
Afinal está tudo roto
É grande o desgosto
Do não cumprido desejo
Entre montes e vales
Procuro a velha utopia
Vem-me o cheiro a bem, e de outros
Abro os olhos, e só vejo males
Todos em catadupa vejo
Mas a nenhum dele desejo
De par em par observo
O mar á minha frente
De maré, calmo ou bravo
E já a certeza me desmente
Mas a este seu servo
A ignorância não mente
No escuro da espuma
Vejo a clara inocência
No meio desta bruma
Vou perdendo a inocência

sábado, 6 de agosto de 2011

Guerra à vista??

A escola socrática (desta vez é mesmo do vendedor de banha da cobra que falo).
Sinceramente cada vez percebo menos disto. O povo português foi a votos, e mandou o Sócrates para a escola outra vez, estudar filosofia em Paris, que diga-se bem precisa, faz-lhe bem realmente estudar sobre ética e moral e humanismo, Etc. Etc.,.
Mas é curioso, que já não sei se ele foi para Paris estudar ou ensinar. Quer me pareceu que ele já criou uma escola filosófica, como o Inimigo Publico lhe chama ‘‘Socratinices’’. Eu explico.
Ando assustado, muito assustado, ou se quiserem apreensivo, muito apreensivo. Primeiro foi a Grécia, depois a Irlanda, depois Portugal, agora fala-se na Espanha e também na Itália. Em todas estas situações dos diversos países que nomeie, os líderes políticos desses países bem como os líderes políticos da Europa agiram da mesma forma, ou melhor, agiram á presidente de clube de futebol português. ‘’o treinador? Não, o treinador está para ficar acreditamos no seu trabalho e temos toda a confiança nele, e quero desde já manifestar a nossa crença que ele vai dar muitas vitorias a este clube grandioso.’’ Três dias depois noticia de primeira pagina, ‘’treinador despedido’’. ‘’Ajuda financeira internacional? Não, nós não precisamos de ajuda financeira internacional!’’ .
Foi assim na Grécia, depois na Irlanda, depois Portugal, uma semana depois do famoso discurso de Sócrates em Bruxelas. ‘’é preciso acabar com este disparate de que agora todas as economias europeias precisão de ajuda umas a seguir ás outras, não, é preciso dizer basta e connosco isto acaba aqui’’. Lembram-se? Uma semana depois Portugal pede ajuda. Mas não sem antes a comissão europeia dizer. ‘’Portugal não precisa de ajuda, mas estamos á espera, se eles precisarem têm de ser eles a fazer formalmente o pedido, mas não cremos de que venham a precisar, Portugal tem todas as condições para sair da situação em que se encontra.
Depois disto, andaram aqui a embrulhar de um lado para o outro. Sobem taxas de juro, eleições, as agencias de rating são uns ladrões e estão a soldo dos especuladores, até que a ameaça se orienta rumo a nascente pelo sul do mediterrâneo, então, aqui del rei que temos de fazer alguma coisa. Cimeira europeia extraordinária e eis que: foi um sucesso, um tremendo sucesso. Jantar romântico em Berlim entre o Sr. Sarkozi e a Sra. Merkel, e já temos solução e agora é que vai ser e não temos medo de ninguém (onde é que eu já ouvi isto?).
Entretanto, do outro lado do grande lago, o Sr. Obama anda numa correria e com os nervos á flor da pele, sim, que isto de ser o presidente da maior dívida externa do mundo tem que se lhe diga.
E, eu aqui, sentadinho a vê-los desfilar, jantar a dois em Berlim à luz das velas, Berlusconi telefona a Sorkozi e Cameron, Sarkozi telefona  a Zapatero, Zapatero liga para Berlusconi e para Merkel, Junker reúne com Merkel e Sarkozi, entretanto liga a Barroso, o Barroso escreve cartas aos lideres europeus a dar umas dicas, o Olli Rehn dá uma conferencia de imprensa a dizer que o pessoal tem de ganhar juízo e deixarem de andar a falar uns de um lado, e outros do outro, e a Sra. Elena Salgado vem dizer ao Sr. Olli Rehn que se saiba por no seu lugar, as bolsas entram em queda, a ex. ministra das finanças francesas Christinne l’Agard,  agora á frente do FMI, rebenta em escândalo financeiro, a China diz que os EUA têm de começar a gastar só o que têm, até porque eles já estão fartos de lhes emprestar dinheiro para eles andarem a brincar ás guerrinhas no médio oriente, as bolsas continuam a descer, a Standart & Poors desce o rating dos EUA, e já não há linhas telefónicas disponíveis para os telefonemas entre Obama, Sarkozi, Merkel; Berlusconi, and so on and so on and so on.
Entretanto não nos podemos esquecer que temos uma guerra civil na Líbia, revoluções e massacres na Síria, mais um berbicacho no Egipto, e o Japão coitado ainda não tomou aspirinas que cheguem para que lhe passe a dor de cabeça do sismo e tsunami que se lhe seguiu.
O que é que tudo tem a ver com a escola do Sócrates? Tudo!
Estudaram todos no mesmo sítio, conferências de imprensa, umas notícias bombásticas na comunicação social para entreter o pessoal, entretanto começa a época futebolística, um massacre na Noruega que veio mesmo a calhar, um Verão em que nunca mais pára de chover, mais uma frota de gente parva a caminho da palestina para enfrentar o exército israelita, mais um telefonema, e entretanto ficam todos como no anúncio daquela companhia de telecomunicações em que ficam todos roucos de tanto falar ao telefone, ‘’até vais ficar com as orelhinhas a arder’’.
Os EUA em vez de começarem de vez a cortar na despesa, andam por lá todos à guerra uns com os outros para poderem gastar cada vez mais e mais.
Na velha Europa, desde que o pessoal se sente no sofá a ver bola e a beber cerveja, se preocupem com o meio ambiente, se entretenham a organizar umas greves, e continuem a ter dinheiro emprestado para andar de Audi e BMW, tudo vai bem, para já  não falar no bom estado social europeu.
Por estes lados, qualquer burro com um fato Armani é um senhor, todos se preocupam muito com a escravatura laboral no oriente, e nas ofensas aos direitos humanos daqueles que poupam dinheiro para emprestar aqueles que fazem vida de burgueses com as suas poupanças. Por aqui toda a gente tem muita pena dos pobrezinhos em África que passam muita fome coitados que nunca mais chove lá por aquelas latitudes, e vá de organizar grandes banquetes para angariar fundos para os pretinhos, tudo isto claro, com o dinheiro das poupanças dos chineses e dos indianos, lembram-se?
Quer me parecer, que se fizermos bem as contas, não há dinheiro que chegue em todo o mundo, para pagar todo o dinheiro que se deve em todo o mundo.
Há uma coisa que cada vez mais me parece clara como água. Os países não se podem continuar a endividar ao ritmo que têm vindo a fazer nas últimas décadas. Depois é preciso pagar as dívidas, para pagar as dívidas é preciso por as economias a crescer e a criar riqueza, mas o pessoal para poupar, não tem dinheiro para gastar em coisas que não precisa, economia não cresce. Dois terços da dívida dos EUA e da Europa está nas mãos dos chineses, quer isto dizer, que somos nós que vamos pagar para eles investirem e crescerem, enquanto nós estagnamos e vemo-los passar, mas, é preciso que nós paguemos a quem devemos. E se não pagamos? Conseguem imaginar? Guerra! Einstein disse uma vez que não sabia como ia ser a 3ª guerra mundial, mas que a 4ª ia ser à pedrada. Não resta pedra sobre pedra.
 Sou catastrofista? Pois isso é a influência da escola socrática na vossa forma de pensar.
A não ser que apareça um líder a sério que ponha ordem na casa, não vejo um futuro risonho para o planeta, é que se a globalização trás coisas boas, também é certo que as trás más, (o bem e o mal andam sempre lado a lado lembram-se?), e tanto se me dá que esse líder apareça na Europa, nos EUA ou na China, mas é preciso que apareça alguém que meta juízo na cabeça desta gente, mas por outro lado também não vejo como isso é possível com tanta democracia por esse mundo fora, com tanto estado social, e com tanta gente a viver à custa de tão poucos. Se agora é assim, imaginem quando se começar a comer Mc Donalds e a beber Coca Cola em todo o mundo.
Tenho andado a pensar ultimamente, que estudar filosofia em Paris é perto de mais, ouvi dizer que a NASA, vai enviar uma sonda até Júpiter, quer me parecer que vou apanhar uma boleia e ver como está o Verão por aquelas paragens, e mesmo assim, a ver se o sangue não chega até lá.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Para quando outras formas de vida na ficção cientifica?

Esta também já tem uns aninhos, é daquela idade em que sabemos tudo..., ou melhor, que pensamos que sabemos tudo...
  
  É apenas ficção! Ficção científica, é o que lhe chamam, mas porque? Porquê sempre do mesmo jeito, as mesmas formas, sempre a mesma imaginação fértil em falta de originalidade?
Porque será que o homem tem sempre de inventar coisas á sua própria semelhança e imagem? Já não lhes basta ter criado deuses a torto e a direito, e agora que essas criaturas estranhas e malévolas, quais forças de opressão, estão a passar de moda, deram em inventar criaturinhas ao jeito de M&Ms, de muitas e variadas cores e feitios, yahck, que nojo!
Porque não param para pensar um pouco? Nem é preciso despender de muito tempo ou energia. Não são as nossas formas físicas resultantes de variados processos evolutivos? Ou ainda acreditam que o dente do siso é que nos trás realmente o juízo, qual cegonha alada portadora de vida reprodutiva?
    A vida, é em minha opinião (e é apenas uma opinião e nada mais que isso) um vasto conjunto de reacções químicas que interagem fisicamente entre si, logo, se assim for; todo é possível, senão, pensem um pouco nas combinações possíveis que existem numa chave do totoloto ou do euromilhoes, e transponham isso para as centenas de elementos químicos que existem na tabela periódica, e isto apenas para os elementos que a ciência conhece neste momento, porque estou certo que muitos mais existiram.

    Por isso meus amigos pensem, acordem da letargia que lhes tolhe a razão, e criem, inventem, imaginem, façam o que quiserem, mas pensem, porque a vida é bem mais vasta que a vossa imaginação, ou então não……………

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Mais um tesourinho


É tarde, nem sei quanto
É quantificável? Nem sei
Nem sei se sonhei, nem sei se acordei
Não sei que faço, tão pouco se esta por fazer
Sonolência, que pesar
Essa droga que nos põe a navegar
Caravela é preciso ter
Terras estranhas alcancei
Se é quantificável não sei
Já é tarde acordei

Noite escura, cálido breu
Doce beleza, é ela
Alvas barcas de veludo
Derivam nas areias quentes
Em busca de Sofia
Procurei e não te via
Nessas areias ardentes
Resolvi problema bicudo
Doce beleza era aquela
Qual aurora me surpreendeu

Que são sempre fixas
Nem sempre claras
Por vezes confusas
Por outras luminosas
Mas sempre brilhantes
Qual chuva de diamantes
Que te achem duvidosas
Ou mesmo difusas
Mas certamente pagas
Por expensas divisas



Vou chegar tarde
Mas não sei aonde
Haverá alguém á minha espera
Mas não sei aonde
Estará lá para me abraçar
Mas não sei porquê
Estará lá para me amar
Mas não sei porquê
Estará lá para me odiar
E nunca saberei explicar porquê
Voam aves ao sabor do vento
Para ilhas distantes
Levam sementes no ventre
São puros diamantes
Riquezas escondidas
De loucos sem alento
Nunca chegam tarde
E sabem onde
Algo á sua espera
Os aguarda impacientemente
É a Natureza do amor
É a Natureza da vida
A vida sem dor
Não é amor correspondido



São noites perdidas?
Não sei
Mas não acredito
Só se perde o que nunca se teve
se não tive, tudo o que tiver, será ganho
Com o amor e com o respeito de quem nos escuta
Com o amor e o respeito que te escuto
Era linda aquela noite em que o passarinho
Me levou ate junto de ti, voou pela solidão das trevas e penetrou nos subúrbios de tua aurora, nem sei como foi, nem sei qual o esplendor, que de teu mundo irradiou e me cegou, com o brilho do teu ser e da tua paixão, mas cego não sou, e cego não fiquei, acordei isso sim para o mundo e para a vida que de tal sono profundo me encontrava inconsciente.
Não direi, tudo o que sinto, mas farei tudo o que pinto em minha alma, onde lado a lado caminhamos juntos de um lago calmo, tranquilo, e límpido onde pequenos esquilos brincam em nosso redor. As flores cantam canções de amor e as arvores dançam em rodopios alegres e atordoantes onde a paixão é rainha e a tua beleza é minha.



Com um cheirinho a naftalina

Em virtude de manifesta falta de tempo (não pensem que é falta de inspiração, é mesmo falta de tempo), vou publicar umas bolas de mofo bolorento que descobri anafado em pó no fundo de algumas gavetas. Se vos parecer repetitivo em relação a algo que já tenha publicado ou até de certa forma infantil ou ingénua, nao se admirem, são coisas escritas num tempo lá buéé buéé buééda longe, tipo na terra do Shrek (é assim que se escreve?). Quanto á ilustração parece-me adequada, uma vez que este sem vergonha é o rafeiro mais inteligente que conheço, mais ainda que eu próprio e por todo o amor que tem por mim, já merece uma homenagem  ...NEEEEERO OO   QUIETO...QIIIIIIIEEEEEEETTTOOOOOO LARGA-ME AS CALÇAS.... ORDINÁRIO.... BANDÍÍÍÍÍIDOO



    Dá-me a impressão de que a vida não passa de pura energia, sim, porque é a única forma que encontro para explicar a vida, é defini-la como pura energia. Não acreditam? Então pensem como tudo aparece ninguém sabe bem como, como tudo se transforma e como tudo interage entre si. A vida é qualquer coisa de sublime, tão fantástica que até há pessoas que se atrevem a criar os chamados deuses para a explicar, que em certos casos até uma forma poética e até mesmo cómica de explicar factos e fenómenos que não conhecemos. Não fiquem à espera que eu tenha a resposta para todas essas perguntas, porque não tenho, mas tenho opinião, e é isso que este texto é, uma opinião, a minha opinião, sim porque ter opinião é ter vida, é saudável, é a razão da nossa existência, se todos nós fossemos uma única opinião, não haveria essa mesma opinião porque seríamos todos iguais e o pensamento tão pouco teria razão de existir. Mas o que é certo é que existe e é fantástico, mas, não pensem que a espécie humana é a única que pensa ou a única inteligente ou inteligível, ou até mesmo a mais inteligente de entre todas, porque todas elas são igualmente inteligentes, porque todas elas são igualmente dotadas de energia, essa energia em estado puro, que sendo sempre a mesma qualidade de energia, a todos torna diferente, e é essa a magia da vida, tão magica quanto inexplicável. 

    Porque será que se costuma dizer que um ser humano é mais inteligente que um cão ou um cavalo? Já pensaram que se o homem não conseguisse unir tão facilmente como o faz o polegar a todos os outros dedos da mão, talvez a nossa inteligência não tivesse uma aplicação pratica, e se encontrasse por esse motivo subaproveitada? Consegue um homem diferenciar tantos odores como um cão? Consegue o homem fazer mel como as abelhas? Consegue o homem parar o seu metabolismo celular para sobreviver a uma glaciação? Consegue o homem voar só com o seu próprio corpo?...Tantas coisas que nós homens consegui-mos fazer e outros animais não, mas existe também uma infinidade de coisas que outros animais, plantas, vírus, bactérias e tantos outros seres vivos, mortos ou inanimados conseguem fazer e nós não. O que existe são diferentes formas de inteligência, porque todos somos igualmente inteligentes, só que de uma forma diferente, ou seja, a energia que existe em todos nós, essa energia que somos nós, apenas se manifesta de maneira diferente em cada um de nós, e essa é em minha opinião, a razão pela qual todos nos somos diferentes mas ao mesmo tempo todos iguais e é essa ambivalência que torna tudo tão maravilhoso. De igual forma há uma tendência natural para qualificar o grupo social a que pertencemos de civilizado, e todos os outros de não civilizados ou até mesmo de selvagens. Nada mais errado em minha opinião. Todos são civilizados, cada um á sua maneira porque cada um tem as suas próprias regras, todos somos humanos, mas isso não impede que tenhamos diferentes regras de conduta entre nós, mas isso não nos torna incivilizados, mas tão só e apenas diferentes.  

domingo, 31 de julho de 2011

Livro dos Génesis - Capitulo I Versiculos 0 a Infinito.

Costumo dizer que não há problemas sem solução, como tal, para todos os problemas que encontrei na minha vida, sempre encontrei uma solução. Se foi a mais correcta, adequada, ou a mais feliz, muito sinceramente não sei. Só sei que para um problema há sempre pelo menos uma solução.
Da mesma forma, a natureza encontra sempre uma solução, ou se quiserem uma saída, e é a isso que eu chamo de Vida. Os elementos químicos, por meio de regras da física, agem/reagem entre si, e o resultado é a Vida. E, é a isso que eu chamo de evolução. De notar que esta história não explica o aparecimento dos elementos da tabela periódica, mas mesmo assim recuso-me a usar o argumento teológico. Que tudo começou da promiscuidade de um pai e um filho que depois de matar o irmão, andaram a comer a mãe à vez, para dar origem à dinastia dos Judeus, é uma história difícil de comer, -Não muito obrigado, mas estou de dieta.
De cada acção nasce uma reacção, cujo resultado volta a agir, reagir e por ai fora até chegarmos onde estamos hoje. Vêem?! Também tenho o meu próprio capítulo dos Génesis. De reacção em reacção a vida foi evoluindo até chegar àquilo que eu chamo do ultimo grito tecnológico da Natureza. O Ser Humano. Mas, notem, que só é o mais evoluído tecnologicamente em termos de software, porque em termos de hardware deixa muito a desejar, é uma espécie de Dascia com um volante de um formula 1, ou uma Zundappe 4 turbina com o computador de bordo de uma nave espacial. Isso deve-se creio ao facto de o Ser Humano andar por estas paragens há muito pouco tempo, do ponto de vista evolutivo, os repteis, as aves, e até mesmo muitos mamíferos andam por cá há muito mais tempo. Temos demasiado cérebro para tão pouco corpo, e, até mesmo o cérebro ainda precisa de uns up-dates, porque alguns vêem com problemas de origem e outros assim que acaba o prazo da garantia entram em desequilíbrio.
Não acreditam nisto? Então reparem que tudo pode ser explicado por meio da matemática, aquela que não mente. Até mesmo a eterna luta do bem contra o mal, não passa de uma puta de uma ilusão. Reparem que os opostos (o bem e o mal) andam sempre lado a lado de mãos dadas. Zero e um, ligado desligado, alto baixo, feio bonito, vida morte, noite dia, predador presa, gordo magro, escuro claro, etc., etc., etc.,. o que é bom para uns pode ser mau para outros e vice versa, o mundo todo muda quando vemos as coisas pelo outro lado do prisma, quando mudamos de ângulo. O massacre de Oslo é uma atroz barbaridade para a esmagadora maioria dos comuns dos mortais, mas pelo menos para quem o levou a cabo não o foi, foi antes algo de correcto e certo e tido como bem. O Homem é pequeno de mais para com o seu frenético e inquieto software constantemente desactualizado, acertar seja em que prognostico for, tudo o que fazemos e dizemos não passam de tentativas sucessivas de reagir como meio de evoluçao, porque Nós Seres Humanos, não somos mais nem menos que os outros Seres, «vivos, mortos e inanimados», somos apenas uma de muitas peças de uma complexa engrenagem dentro de muitas e complexas engrenagens, de muitas e variadas engrenagens no meio das quais nos perdemos.
Na constante luta pela sobrevivência dentro do nosso habitat natural, todos nós, não fazemos mais que evoluir, bem, todos não, aqueles tipos da CGTPin, do PcPPev, BE, PCTPMRPP  e  outras siglas afins, devem ter vindo de outro universo, onde tudo é imutável e constante, onde nem Big Bang houve, talvez só um peido mal cheiroso.
P.S. Já me esquecia. hoje é o dia Mundial do Orgasmo, a suprema de todas as reacções evolutivas. HHHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA...SI CARIÑO.......DAMELO TODO....AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHH....................